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Depois do GAECO e da Operação Águas Turvas, MP levanta o asfalto de Bonito e contratos milionários entram na mira

Promotoria vai conferir licitações, empresas, valores, aditivos, medições, qualidade das obras e se aquilo que foi pago realmente chegou às ruas

O asfalto de Bonito entrou oficialmente no radar do Ministério Público de Mato Grosso do Sul. A 1ª Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social abriu procedimento para apurar contratos e obras de pavimentação realizados durante a gestão do prefeito Josmail Rodrigues.

A apuração, conduzida pela promotora Ana Carolina Lopes de Mendonça Castro, alcança pavimentação, recapeamento, recuperação de vias e calçadas. Segundo o TopMídiaNews, o MP pretende verificar contratações, licitações ou dispensas, editais, termos de referência, empresas vencedoras, valores, aditivos e documentação dos processos.

A lupa também deverá chegar às ruas, confrontando quantidade e qualidade dos serviços, projetos, medições, atrasos e aquilo que efetivamente foi executado com o que saiu dos cofres públicos.

O procedimento ganha peso diante do histórico recente do município. Em outubro de 2025, Bonito foi alvo da Operação Águas Turvas, deflagrada pelo GAECO, em investigação envolvendo suspeitas de fraudes em licitações de obras de engenharia. Isso não significa que os demais contratos apresentem irregularidades, mas aumenta a importância da transparência e da fiscalização.

Os milhões do asfalto

Um dos principais contratos já levantados pelo Bonito Sem Filtro News é o Contrato nº 31/2024, firmado com a Infra+ S/A, decorrente da Concorrência Pública nº 05/2023, Processo Administrativo nº 260/2023, no valor de R$ 9.539.550,70.

Nessa concorrência ocorreu um episódio que merece explicação documental. A Rainha Construtora apresentou proposta de R$ 9.147.540,72, enquanto a Infra+ ofereceu R$ 9.539.550,70. A Rainha acabou desclassificada e a Infra+ ficou com o contrato, uma diferença de R$ 392.009,98. Uma proposta menor não garante vitória em licitação, mas a motivação técnica da desclassificação precisa estar claramente demonstrada no processo.

A Infra+ também aparece no Contrato nº 99/2025, decorrente da Concorrência Eletrônica nº 09/2025, Processo nº 91/2025, no valor de R$ 15.548.141,60, referente à segunda etapa do Programa de Eficiência Municipal, com obras de infraestrutura urbana.

Há ainda o Contrato Agesul nº 103/2026, também executado pela Infra+, no valor de R$ 5.841.756,39, decorrente da Concorrência Eletrônica nº 047/2026. Esse contrato é estadual, portanto não deve ser confundido com os contratos diretamente celebrados pela Prefeitura, mas integra o volume de obras executadas pela empresa em Bonito.

A Rainha Construtora, por sua vez, também acumula contratos de pavimentação no município. Em 2025, venceu a obra da Vila Machado por R$ 820.400,23, a Etapa 6 do Jardim das Flores por R$ 1.155.509,96 e a pavimentação e drenagem da Vila Mimito por R$ 1.787.999,99.

Somente esses contratos municipais da Infra+ e Rainha citados acima alcançam aproximadamente R$ 28,85 milhões. Incluindo o contrato estadual da Agesul executado pela Infra+, o conjunto ultrapassa R$ 34,69 milhões.

É dinheiro suficiente para justificar uma pergunta bastante simples: o que foi contratado, medido e pago corresponde, em quantidade e qualidade, ao que está hoje debaixo dos pneus?

Asfalto não pode virar farelo

Alguns trechos relativamente recentes já apresentam sinais de deterioração. Não cabe ao cidadão determinar se a causa está no material, espessura, base, compactação ou drenagem. Cabe aos responsáveis técnicos demonstrar que aquilo que foi executado corresponde ao projeto e às medições.

Se estiver correto, que os documentos e testes comprovem. Se houver falhas, que sejam identificadas as causas, responsabilidades e a obrigação de reparação.

Depois de tantos milhões colocados nas ruas, Bonito precisa saber não apenas quanto custou o asfalto, mas quanto tempo ele deveria durar.

Asfalto público não pode durar menos que a propaganda da obra.

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