InícioBonitoVÍDEO NO CRAS REPERCUTE EM BONITO, USUÁRIA FAZ DURAS CRÍTICAS E PREFEITURA...

VÍDEO NO CRAS REPERCUTE EM BONITO, USUÁRIA FAZ DURAS CRÍTICAS E PREFEITURA DIVULGA NOTA OFICIAL

Um vídeo gravado na manhã desta quinta-feira (17), no Centro de Referência de Assistência Social, o CRAS de Bonito, ganhou repercussão nas redes sociais depois que uma usuária reclamou publicamente do atendimento encontrado na unidade. A Prefeitura reagiu divulgando nota oficial com sua versão dos acontecimentos.

O BSFN publica o vídeo na íntegra, sem cortes, acompanhado da transcrição da fala da usuária. Também apresenta os esclarecimentos da Administração Municipal, permitindo que o leitor conheça o que foi registrado no local e aquilo que posteriormente foi explicado pelo poder público.

ASSISTA AO VÍDEO NA ÍNTEGRA

[INSERIR VÍDEO]

O QUE DIZ A USUÁRIA

No vídeo, a usuária registra a movimentação no CRAS e faz uma série de reclamações sobre o atendimento. Abaixo, a transcrição de sua fala:

“Ó pessoal, o tanto de gente no CRAS, ó aqui ó, por falta de atendimento porque as responsáveis não estão no local pra atender o pessoal, tá?”

“Tamo aqui. Eu tô aqui também, fui acidentada, pra precisar só dum comprovante de atualização e não tem responsável pra atender o povo. O povo é tratado como lixo.”

“A gente nem teria que tá aqui. Tinha que ter um responsável pra ir na casa da gente ver.”

“A gente colocou o povo na política, lá naquela porcaria daquela Prefeitura, pra quê? Pra nada. Pra gente ficar sentado aqui no CRAS pra pedir cesta básica de três em três meses que é liberado aqui, ó.”

“Que aí cês vejam lá atrás, os funcionário ó, tudo rindo, brincando, né?”

“E o povo aqui ó, com criança no colo, gente idosa, tudo doente ó. E os funcionário tudo rindo, brincando. Ninguém pra te atender, nem um responsável pra te atender, nem um responsável.”

“Só tá as menina aqui ó, nem um responsável ó. Isso aqui é um absurdo.”

“Isso aqui, os político, quem votou tinha que ir na casa da gente: ‘Cê tá precisando? Cê tá precisando do quê, meu amigo? Cê tá precisando dum remédio?’”

“Votou pra quê? O povo tem direito, gente. O povo tem direito de ir lá reclamar, porque da mesma forma que a gente colocou eles lá dentro, a gente pode tirar.”

A VERSÃO DA PREFEITURA

Segundo a nota oficial, B.X.T. compareceu ao CRAS por volta das 8h30 e foi orientada pela recepcionista a aguardar. A Prefeitura afirma que as assistentes sociais estavam realizando atendimentos individualizados de pessoas que haviam chegado anteriormente e informa que “as fichas de atendimento previstas para aquele período já haviam sido preenchidas”.

A Administração sustenta que não houve recusa de atendimento e que a usuária poderia ser atendida após a conclusão dos atendimentos em andamento. Segundo a Prefeitura, essa orientação não teria sido aceita.

A nota também procura explicar as pessoas vistas durante a gravação. Segundo o Município, na área externa do CRAS aconteciam atividades do projeto “Mulheres que Criam”, desenvolvido pelo Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos, o SCFV. Uma funcionária teria acionado uma psicóloga que estava com essa equipe para auxiliar na situação.

A Prefeitura informa ainda que a psicóloga passou a ser filmada, disse não autorizar a gravação e pediu que ela fosse interrompida. Posteriormente, foram acionados o Corpo de Bombeiros e a Polícia. Os bombeiros compareceram à unidade e, segundo a nota, realizaram a orientação necessária. B.X.T. teria deixado o local durante esse atendimento.

A NOTA RESPONDE, MAS ALGUMAS PERGUNTAS CONTINUAM

A resposta oficial esclarece a versão da Administração, mas não responde objetivamente a todos os pontos levantados pelo episódio. A usuária não reclama apenas de sua própria espera. No vídeo, ela mostra outras pessoas e afirma haver “criança no colo” e “gente idosa”, além de dizer que faltaria responsável para atender.

A própria Prefeitura informa que as fichas previstas para aquele período já estavam preenchidas. Isso levanta uma questão simples: se o CRAS atende conforme ordem de chegada, demanda e disponibilidade das equipes, o que acontece com quem chega depois que as fichas acabam? Há atendimento no mesmo dia? Quanto tempo essas pessoas precisam esperar? A nota não informa.

Também existe uma diferença importante entre aquilo que a usuária relata e a explicação oficial sobre os funcionários vistos durante a gravação. Ela afirma que havia funcionários “rindo, brincando”, enquanto a Prefeitura explica que parte da equipe participava de uma atividade do projeto “Mulheres que Criam”. A realização de uma atividade programada pode explicar a presença dessas pessoas, mas não responde, sozinha, se havia profissionais suficientes disponíveis para atender a demanda que aguardava naquele momento.

Outro ponto que merece esclarecimento é o acionamento da Polícia. A Prefeitura afirma que Polícia e Corpo de Bombeiros foram chamados “diante da situação ocorrida no local”, mas não especifica na nota qual fato concreto levou ao acionamento policial. Não informa se houve ameaça, agressão, dano ou outra ocorrência que justificasse a medida.

A usuária também menciona pessoas esperando por cesta básica e fala em liberação “de três em três meses”. A nota não esclarece esse ponto, nem informa quantas pessoas aguardavam atendimento, quantos profissionais estavam atendendo naquele momento ou quantos usuários foram efetivamente atendidos naquela manhã.

BSFN

A Prefeitura tem o direito de apresentar sua versão, assim como o cidadão tem o direito de reclamar do serviço público e a imprensa de questionar aquilo que ainda precisa ser esclarecido.

O vídeo está aí. A fala da usuária está transcrita. A resposta oficial também está apresentada. Nota oficial é direito de resposta, não certificado automático de encerramento de uma apuração.

Se as fichas tinham acabado, quantas pessoas ainda esperavam? Quantos profissionais estavam efetivamente atendendo? Quanto tempo seria necessário aguardar? Por que a Polícia foi acionada? E qual era a situação das pessoas que buscavam assistência naquele momento?

Quando uma nota pretende colocar um ponto final, mas deixa interrogações pelo caminho, o papel da imprensa não é guardar as perguntas na gaveta. É fazê-las.

RELATED ARTICLES

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

- Publicidade -

mais vistas