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Bonito entra na era da laranja: safra misteriosa cresce e os pomares ninguém vê

Conhecida pelo turismo, pela pecuária e pelas belezas naturais, Bonito parece ter descoberto silenciosamente uma nova vocação nos últimos anos: a citricultura. O fenômeno chama atenção por um detalhe curioso, fala-se muito da produção, mas ninguém consegue localizar direito onde ficam tantos pomares.

O cultivo tradicional exige terra, chuva, adubo, poda e trabalho. Por aqui, ao menos nesta sátira, surgiu uma variedade aparentemente mais moderna: brota discretamente, cresce depressa e às vezes parece dar frutos antes mesmo de alguém descobrir onde foi plantada.

Também não se veem grandes plantações, caminhões carregados ou trabalhadores fazendo a colheita. Ainda assim, o assunto prospera nas conversas da cidade e nas rodas de tereré. Uma atividade peculiar: quase invisível na paisagem, mas surpreendentemente fértil no imaginário popular.

Talvez seja uma espécie especialmente adaptada ao cerrado. Há quem diga que certas árvores modernas nem precisam ficar no nome de quem cuida delas. Um planta, outro aparece como proprietário, um terceiro administra e, quando chega a hora de descobrir quem ficou com o suco, começa uma verdadeira aula de botânica.

Não existem, evidentemente, números do IBGE capazes de medir tamanha novidade. Trata-se de uma sátira. Mas, se conversa de esquina entrasse no Censo Agropecuário, Bonito talvez estivesse disputando o título de nova potência da citricultura.

A novidade já mereceria até um circuito turístico: a Rota da Laranja, com visita aos cultivos invisíveis e uma experiência exclusiva, descobrir quem é o verdadeiro agricultor. Dependendo da espécie encontrada, o passeio poderia durar anos.

Também caberia uma festa temática, com prêmio para o produtor mais misterioso. O campeão seria aquele capaz de cuidar da lavoura por uma eternidade sem jamais aparecer segurando uma enxada.

Brincadeiras à parte, Bonito continua mundialmente famoso por suas águas cristalinas e pelas operações do GAECO.

Mas nesta eleição, talvez seja hora de o eleitor observar melhor o terreno. É a temporada dos agricultores sorridentes, das sementes milagrosas, das mudas cuidadosamente apresentadas e das promessas de uma colheita tão maravilhosa que quase dá vontade de levar duas.

Na campanha, quase tudo parece doce. Depois da eleição é que vem o primeiro gole.

Antes de escolher, vale conhecer a árvore, pesquisar sua história e observar o que ela já produziu. Escolha livremente — mas saiba o que está colocando no próprio quintal.

Se depois o sabor estiver azedo, não adianta fazer careta. A urna não dá nota fiscal, não aceita troca e não tem balcão de devolução. A próxima oportunidade demora quatro anos.

Quanto a esta curiosa atividade agrícola, fique tranquilo: é apenas uma sátira. Os pomares são imaginários e qualquer interpretação além da botânica fica por conta do leitor.

A agricultura, porém, ensina uma coisa que dispensa especialista: ninguém colhe aquilo que não foi plantado.

E nesta eleição, antes de escolher, olhe a árvore, examine as raízes e lembre-se do que ela já produziu. Porque promessa pode até mudar de embalagem; fruto velho não vira novidade só porque apareceu numa cesta nova.

Na urna, o eleitor planta em segundos aquilo que poderá ter de engolir durante quatro anos.

Bonito Sem Filtro News — escolha bem. Depois do voto, até laranja azeda vira suco obrigatório por quatro anos.

Bonito Sem Filtro News — nesta eleição, escolha bem a muda. Depois que cria raiz, são quatro anos engolindo o suco.

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