Prefeitura determinou paralisação por três meses e abertura de apuração de responsabilidade; obra foi retomada, mas o resultado da investigação administrativa não foi localizado nas publicações oficiais.
Parte da Rua Coronel Pilad Rebuá está recebendo novamente os serviços previstos no contrato de R$ 9.539.550,70 que foi suspenso pela Prefeitura de Bonito poucos dias depois da deflagração da Operação Águas Turvas.
O Contrato nº 31/2024, firmado com a Infra+ S/A, tem origem na Concorrência Pública nº 05/2023 e no Processo Administrativo nº 260/2023.
O objeto abrange restauração do pavimento, drenagem e urbanização da Avenida Heron do Couto, da Pilad Rebuá e de outras vias do município.
A obra voltou a avançar. O que ainda não apareceu publicamente foi o resultado da apuração que deveria esclarecer por que esse contrato foi suspenso e em quais condições sua execução foi retomada.
Contrato prevê intervenções em diferentes vias
A Infra+ venceu a Concorrência Pública nº 05/2023 pelo valor de R$ 9.539.550,70. Os serviços são vinculados ao Convênio nº 938332/2022, firmado com o Ministério da Defesa.
A homologação publicada pela Prefeitura inclui intervenções na:
- Rua Coronel Pilad Rebuá;
- Avenida Heron do Couto;
- Rua Luiz da Costa Leite;
- Rua Monte Castelo;
- Rua Santana;
- Rua Senador Filinto Müller;
- Rua 15 de Novembro;
- Rua Nelson Felício;
- Rua das Flores.
Na Pilad Rebuá, o projeto contempla o trecho entre as ruas Bongiovani e General Osório, com restauração do pavimento, drenagem, calçadas, estacionamento, ciclovia e outros serviços de urbanização.
Em junho de 2024, a Prefeitura anunciou o começo das obras de revitalização. Na publicação, porém, chamou a executora de “Infra S.A.” e a descreveu como empresa pública federal. A vencedora registrada na homologação é a empresa privada Infra+ S/A, CNPJ 51.531.120/0001-56. Veja o anúncio original.
Suspensão foi assinada três dias depois da operação
Em 7 de outubro de 2025, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul deflagrou a Operação Águas Turvas.
Segundo o MPMS, a investigação apurava suspeitas de organização criminosa, fraude em licitação, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro envolvendo obras e serviços de engenharia contratados pelo Município de Bonito. Leia a nota oficial do MPMS.
Três dias depois, em 10 de outubro, o prefeito Josmail Rodrigues assinou um ato denominado “Suspensão de Execução”.
A decisão foi publicada em 13 de outubro, seis dias depois da operação, e determinou:
- suspensão imediata da execução por três meses;
- abertura de processo de apuração de responsabilidade;
- paralisação de quatro processos administrativos;
- adoção da medida em razão de uma decisão judicial cautelar que tramitava sob sigilo.
Entre os processos relacionados estava o PA nº 260/2023, que originou o contrato de R$ 9,5 milhões da Infra+.
O ato pode ser consultado no Diário Oficial da Assomasul nº 3.946, página 81.
A inclusão do contrato na suspensão não representa, isoladamente, comprovação de fraude. A própria Prefeitura determinou que uma apuração fosse aberta para esclarecer os fatos e as eventuais responsabilidades.
Obra voltou, mas onde está o resultado da apuração?
Atualmente, o contrato permanece em execução e os serviços voltaram a ser realizados em parte da Pilad Rebuá.
Entretanto, até agora, não foi localizada nas publicações oficiais consultadas:
- a portaria de abertura da apuração;
- o número do procedimento instaurado;
- a identificação da comissão responsável;
- o relatório final;
- uma decisão de arquivamento;
- a aplicação de alguma penalidade;
- o ato que levantou a suspensão;
- ou a justificativa para a retomada da execução.
A continuidade da obra não significa, necessariamente, que tenha ocorrido alguma irregularidade. Pode existir uma decisão administrativa ou judicial autorizando a retomada.
Mas, sem a publicação desses documentos, não é possível saber o que foi apurado e qual fundamento permitiu que o contrato voltasse a ser executado.
A Pilad Rebuá já começa a mostrar os resultados físicos do contrato. Falta a Prefeitura apresentar, com a mesma visibilidade, o resultado da apuração anunciada em outubro de 2025.
Uma mudança ocorrida após a operação
Enquanto o contrato estava sendo suspenso, outra movimentação acontecia na Infra+.
Oito dias depois da Operação Águas Turvas, Jerry José Gibertoni deixou de aparecer como diretor da empresa e Sérgio José Joaquim Fenelon passou a ocupar o cargo.
A proximidade entre as datas não prova que a mudança tenha ocorrido em razão da operação. Entretanto, o nome do antigo diretor aparece em reportagens baseadas no relatório investigativo como titular da conta indicada para receber um Pix de R$ 20 mil relacionado a Beto da Pax.
Na segunda parte desta reportagem, o Bonito Sem Filtro mostra quem são Jerry Gibertoni e Sérgio Fenelon, as conexões profissionais entre eles e o que as investigações relatam sobre o Pix.
Observação clicando nas letras em azul te levam para as matérias e publicações citadadas. Leia a segunda parte da matéria https://bonitosemfiltro.com.br/oito-dias-apos-a-aguas-turvas-infra-trocou-jerry-gibertoni-por-sergio-fenelon-na-direcao/

