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Milhões já foram gastos para vender o paraíso. Mas nenhuma propaganda apaga uma investigação.

Existe uma frase frequentemente atribuída a George Orwell, embora não exista registro dela em suas obras, que resume bem o papel da imprensa livre: “Jornalismo é publicar aquilo que o poder não quer que se publique. Todo o resto é publicidade.”

Se a frase é ou não de Orwell, pouco importa. O seu significado continua atual.

Durante anos, Bonito recebeu investimentos para consolidar uma imagem invejável: águas cristalinas, Grutas, natureza preservada, organização e o título de um dos principais destinos de ecoturismo do Brasil.  Pagando campanhas milionárias para agências de publicidade, foram anos construindo uma marca que se tornou referência no Brasil e no exterior.

Mas imagem se constrói com propaganda. Credibilidade se constrói com transparência.

Nos últimos anos, porém, Bonito passou a dividir espaço entre as paisagens exuberantes e as manchetes policiais. A Operação Águas Turvas, que investigou um suposto esquema envolvendo cerca de R$ 4 milhões, e a Operação Gutenberg, que apura um suposto esquema de aproximadamente R$ 1,1 milhão, fizeram o nome da cidade circular por motivos bem diferentes daqueles usados nas campanhas de divulgação turística.

Não estamos falando da mesma coisa. A promoção do turismo é uma política pública; as investigações são outra realidade. Mas há uma reflexão inevitável: nenhuma campanha de marketing consegue apagar o impacto de operações policiais ou investigações sobre o uso do dinheiro público.

É justamente aí que o jornalismo mostra sua importância.

Quando a imprensa publica informações de interesse público, acompanha investigações, analisa documentos e faz perguntas incômodas, ela não está atacando ninguém. Está cumprindo sua função. Afinal, jornalismo não é agradar o poder; é fiscalizá-lo.

No Bonito Sem Filtro News, não nascemos para escrever apenas o que agrada. Nascemos para escrever o que é relevante para a população, mesmo quando isso incomoda.

Porque a liberdade de imprensa não existe para proteger jornalistas. Existe para proteger o direito do cidadão de saber o que acontece dentro dos gabinetes, nos contratos públicos e na administração dos recursos que pertencem à população.

Bonito merece continuar sendo conhecida pelas suas águas cristalinas. Mas também merece que sua gestão pública seja tão transparente quanto elas.

No fim, fica outra reflexão: propaganda vende uma imagem. O jornalismo revela a realidade. E, quando os dois entram em conflito, a sociedade sempre ganha mais quando a verdade vem à tona.

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