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Casa Branca diz que acesso da imprensa não é um direito – 23/09/2026 – Mundo


Autoridades da Casa Branca afirmaram, em uma petição judicial apresentada na terça-feira (22), que o presidente Donald Trump havia concluído que os veículos de imprensa CNN, MS NOW e Politico violaram normas de conduta e, por isso, foram expulsos das dependências da sede do governo.

As supostas violações, segundo o documento, incluem “divulgar falsidades verificáveis sobre segurança nacional e outras questões, além de publicar informações sensíveis ou sigilosas”.

“O acesso à Casa Branca é um privilégio, não um direito”, afirma a petição, que argumenta que a medida de Trump contra os três veículos de comunicação não viola a Primeira Emenda, que protege a liberdade de expressão. Ainda segundo a petição, ela está em consonância com um longo histórico de presidentes que favoreceram alguns jornalistas em detrimento de outros.

A petição também argumenta que a proibição de acesso imposta pela Casa Branca é uma medida preliminar e que os veículos têm até sexta-feira (25) para contestar a decisão.

O confronto começou na última sexta-feira (18), quando Trump anunciou em sua rede social, Truth Social, que proibiria os três veículos, afirmando que eles “não deveriam poder escrever ou divulgar constantemente ficção e mentiras”.

Na manhã de sábado (19), jornalistas da CNN, da MS NOW e do Politico foram impedidos de entrar nas dependências da Casa Branca e tiveram suas credenciais de imprensa confiscadas.

Na manhã da segunda-feira (21), as organizações jornalísticas entraram com uma ação, argumentando que a proibição imposta pelo presidente “discrimina descaradamente com base no posicionamento editorial” e representa uma afronta aos seus direitos garantidos pela Primeira Emenda.

Segundo elas, a medida pegou os veículos atingidos de surpresa, privando-os do aviso prévio exigido para uma ação tão drástica. De acordo com a queixa, eles “não receberam qualquer aviso prévio de que o presidente proibiria uma organização jornalística de entrar na Casa Branca caso não gostasse de sua cobertura”.

O juiz federal Timothy J. Kelly, indicado por Trump em 2017, realiza uma audiência de emergência nesta quarta-feira (23) para analisar o pedido dos veículos de comunicação por uma ordem judicial temporária que revogue a proibição de acesso.

A petição apresentada pelo governo na noite da terça-feira incluiu cópias de cartas enviadas mais cedo naquele dia a cada um dos veículos banidos.

Além de acusar as organizações de não cumprirem as normas de conduta, as cartas apontaram reportagens específicas que supostamente disseminaram falsidades ou ameaçaram a segurança nacional. A carta enviada à CNN, por exemplo, citou uma reportagem de janeiro de 2026 que “revelou detalhes ‘ultrassecretos’ da construção relacionados ao bunker da Ala Leste [da Casa Branca]”, segundo o documento.

Uma das supostas infrações da MS NOW, de acordo com uma carta da Casa Branca, foi uma reportagem de junho de 2026 que afirmava que “uma fonte disse que o presidente Trump ‘subestimou a disposição do Irã de retomar o conflito’”.

O Politico é acusado de publicar um “documento com detalhes sobre o financiamento do salão de festas da Casa Branca, contendo descrições minuciosas de como o Serviço Secreto investiria em melhorias de segurança”, segundo a carta da Casa Branca.

Os três veículos de comunicação não comentaram de imediato a petição da Casa Branca.

Na ação judicial, os veículos argumentaram que a Casa Branca não lhes garantiu o devido processo para contestar a expulsão. Em sua resposta, a Casa Branca afirma ter proporcionado às empresas “procedimentos posteriores à privação suficientes”.

Mas Gabe Rottman, vice-presidente de políticas públicas do Comitê de Repórteres pela Liberdade de Imprensa, afirmou: “Eles não podem suspender você e apresentar uma justificativa a posteriori”.

Em 2018, o juiz Kelly decidiu contra Trump em outro caso envolvendo acesso da imprensa. Trump havia expulsado o repórter da CNN Jim Acosta das dependências da Casa Branca. O magistrado, porém, determinou que suas credenciais fossem restituídas, afirmando que Trump não havia dado a Acosta aviso prévio suficiente para contestar a medida.

Trump escreveu na Truth Social na semana passada que, diante da decisão de Kelly no caso Acosta, o governo teria, “quase sem dúvida”, de recorrer da decisão que será proferida.

Outras organizações jornalísticas reagiram à proibição com manifestações de apoio e solidariedade. O consórcio das cinco redes de televisão que cobre o presidente no chamado “pool” de TV —ABC News, CBS News, NBC News, Fox News e CNN— suspendeu a cobertura do republicano, e alguns veículos interromperam temporariamente a publicação de fotos dos eventos do presidente.



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