Bonito, um dos principais destinos de ecoturismo do Brasil, enfrenta um momento de preocupação. Mesmo com o aumento da oferta de voos, melhorias na acessibilidade e investimentos para facilitar a chegada de visitantes, o setor turístico vem registrando uma retração superior a 10%, segundo relatos de empresários e profissionais que atuam diretamente na atividade.
A queda é sentida em hotéis, pousadas, restaurantes, agências de turismo, lojas, atrativos e no comércio em geral. O impacto vai além dos números: significa menos empregos, redução na circulação de dinheiro e insegurança para quem depende do turismo para sobreviver.
O cenário econômico nacional também contribui para esse momento. Com a perda do poder de compra das famílias, muitas pessoas têm reduzido gastos com viagens e lazer. O resultado é uma diminuição no fluxo de turistas e um mercado cada vez mais competitivo entre os destinos brasileiros.
Diante dessa realidade, surge um questionamento inevitável: onde estão os debates sobre essa crise?
Até o momento, não se observa uma discussão ampla e pública por parte do COMTUR (Conselho Municipal de Turismo) nem da Câmara de Vereadores sobre medidas concretas para enfrentar a retração do setor. Um município cuja principal atividade econômica é o turismo deveria tratar esse tema como prioridade absoluta.
O momento exige planejamento, diálogo e ações coordenadas entre o poder público e a iniciativa privada. É necessário compreender as causas da queda, avaliar estratégias de promoção do destino, fortalecer eventos, incentivar novos mercados e criar políticas que ajudem a manter a competitividade de Bonito.
Se nada for feito, o risco é evidente: empresas podem fechar as portas, empregos serão perdidos e a economia local sofrerá consequências ainda maiores.
A pergunta que fica é simples:
Se o turismo é a principal fonte de renda de Bonito, por que a crise do setor ainda não ocupa o centro das discussões públicas?
Bonito Sem Filtro – Porque desenvolvimento também exige debate, transparência e atitude.

