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Máquinas chegam, clientes somem: obra na Pilad Rebuá já provoca reclamações e prejuízos ao comércio

Depois que o comércio começou a sentir no caixa o peso da interdição, veio a solução: após reunião com a ASSEB, a Prefeitura passou a liberar meia pista para o trânsito. Antes tarde do que nunca. Afinal, cliente não chega de helicóptero.

Se a ideia era revitalizar a Pilad Rebuá, o cronograma começou revitalizando primeiro a lista de reclamações. Bastaram poucos dias de obra para comerciantes verem a poeira subir, o movimento cair e o caixa entrar em modo econômico. Porque vitrine bonita não resolve quando o cliente não consegue nem chegar na porta.

Foi depois desse cenário que comerciantes procuraram a ASSEB (Associação Empresarial de Bonito). A entidade ouviu os empresários e encaminhou um ofício ao prefeito propondo algo que, para quem vive do comércio, parece fazer bastante sentido: manter meia pista liberada enquanto um trecho é demolido e outro já recebe as novas calçadas.

A sugestão começou a ser adotada nesta quinta-feira. Uma das pistas foi liberada para o trânsito e os serviços passaram a ser executados por etapas. A mudança veio depois de dias em que comerciantes afirmam ter amargado prejuízos com a rua completamente interditada. Às vezes, a solução estava no caminho… só faltava abrir a pista.

“Nós, do comércio, ficamos sem chão. Ninguém nos avisou. Chegou de surpresa, fechando as ruas.”

Um comerciante ouvido pela reportagem pediu para não ser identificado por medo de possíveis represálias.

Segundo ele, o problema não foi apenas a interdição.

“Segunda-feira tivemos que ficar praticamente de portas fechadas por causa da poeira e do pessoal quebrando tudo. Os clientes não vêm, não adianta.”

O empresário conta que, justamente no primeiro dia das intervenções, apenas quatro clientes entraram em sua loja. Um número que normalmente não paga nem o cafezinho da equipe, quanto mais as contas do fim do mês.

Ele afirma que muita gente imagina que o comércio da Pilad Rebuá vive exclusivamente do turista, mas a realidade é outra.

“Os turistas representam uns 25% das minhas vendas. Quem mantém o comércio é o morador de Bonito.”

Ao comentar o projeto, ele também demonstrou preocupação com a redução das vagas de estacionamento.

“Esse famoso calçadão de Bonito, para mim, não vai trazer benefício para o comércio.”

E faz um alerta sobre o momento vivido pelos empresários.

“O comércio já não está legal. O aluguel na Pilad Rebuá custa muito alto e ainda temos que ficar fechados. Precisamos nos unir agora.”

A percepção do comerciante representa a experiência de quem está convivendo diariamente com a obra. Os impactos econômicos efetivos dependem de uma avaliação mais ampla envolvendo outros estabelecimentos.

O contrato que virou pausa… e depois play novamente

A obra integra o Contrato nº 31/2024, firmado com a Infra+ S/A, no valor de R$ 9.539.550,70, originado da Concorrência Pública nº 05/2023 e do Processo Administrativo nº 260/2023.

Em outubro de 2025, poucos dias após a deflagração da Operação Águas Turvas, a própria Prefeitura suspendeu a execução do processo por três meses e determinou a abertura de uma apuração administrativa.

Depois, a obra voltou. O que ainda não voltou foi a explicação pública sobre o desfecho dessa apuração. Até o momento, não foi localizado nas publicações oficiais o relatório final da investigação, eventual decisão de arquivamento, aplicação de penalidades ou o ato administrativo que fundamentou formalmente a retomada da execução do contrato.

Enquanto isso, os comerciantes torcem para que a nova estratégia de manter uma pista aberta continue funcionando. Porque obra pública tem prazo para acabar. Boleto, aluguel, folha de pagamento e imposto, esses continuam chegando rigorosamente em dia.

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