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FATO OU BOATO? Obras que não acabam, transtornos que viram vídeo e o contribuinte que ainda leva bronca

Em Bonito, obra pública parece ter descoberto uma nova etapa do cronograma: o transtorno vira rotina, a reclamação vira problema e o morador ainda precisa explicar por que está incomodado.

Numa manhã de domingo, um vídeo do prefeito circulou após críticas aos transtornos provocados pelas intervenções nas ruas do Portal do Rio Formoso. No conteúdo, foi mencionada até a possibilidade de paralisação das obras diante das reclamações.

Se foi desabafo, ironia ou ameaça de parar serviço público por causa de crítica, cabe ao responsável pelo vídeo esclarecer. Mas a cena expõe uma inversão curiosa: quem convive com rua fechada, poeira, barro, dificuldade de acesso e mudança no trânsito é justamente quem paga impostos para que a obra seja executada.

E o transtorno já chegou ao patrimônio particular. Um morador relatou em grupo de WhatsApp que, impedido ou dificultado de entrar com seu “possante” em casa por causa das intervenções, deixou o veículo em uma rua paralela. Quando voltou, encontrou o carro amassado.

O desabafo do morador

Se a rua tivesse acesso, meu carro estaria dentro do quintal de casa e não teria sido acertado.

O morador afirma que pretende procurar seus direitos. A responsabilidade pelo dano ainda precisa ser apurada, claro. Mas a pergunta do contribuinte é legítima: se tivesse acesso normal à própria residência, o carro estaria estacionado na rua?

Obra causa transtorno. Isso é inevitável. O que não deveria ser inevitável é uma sucessão de frentes abertas, acessos comprometidos e serviços que parecem não encontrar a linha de chegada.

E crítica não é combustível para parar obra. É parte da fiscalização social sobre dinheiro público.

Porque existe um detalhe básico nessa história: o morador não recebe favor quando a Prefeitura asfalta uma rua. Ele paga imposto. É desse caixa público que saem obras, contratos, máquinas e também o salário do prefeito o município.

No fim, o “possante” amassado virou quase uma metáfora do momento: a rua sofre intervenção, o trânsito sofre intervenção, o morador sofre o transtorno e, quando reclama, ainda corre o risco de virar o inconveniente da história.

Em Bonito, pelo jeito, concluir a obra está difícil. Concluir que o contribuinte tem direito de reclamar deveria ser bem mais fácil.

Bonito Sem Filtro News

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