Capitão Contar lidera nas pesquisas? Pollon tem apoio de Michelle? Enquanto o anúncio não vem, o jogo político segue travado
A novela da definição do candidato do PL ao Governo de Mato Grosso do Sul ganhou mais um capítulo. O anúncio, que era esperado para o início do mês, foi adiado por mais 15 dias. O novo prazo também passou, e agora a expectativa é de que a definição aconteça na próxima semana, quando o ex-presidente Jair Bolsonaro deverá divulgar a lista de candidatos apoiados pelo partido para os governos estaduais e para o Senado.
Em Mato Grosso do Sul, o silêncio tem sido a principal estratégia.
O presidente estadual do PL, Reinaldo Azambuja, sempre afirmou que a escolha seria baseada em pesquisas de opinião. Nos bastidores, porém, evita revelar quem aparece na frente dos levantamentos encomendados pelo partido.
Se o critério realmente for a pesquisa, o nome mais forte continua sendo o do deputado estadual Capitão Contar. Mas política raramente se resume aos números.
Diferentemente da época em que comandava o PSDB e tinha autonomia para definir os rumos do partido no Estado, Reinaldo hoje depende da decisão da direção nacional do PL. E, principalmente, da palavra final de Jair Bolsonaro.
Enquanto isso, outro fator pesa na balança: a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro mantém sua defesa pública e nos bastidores do nome do deputado federal Marcos Pollon. Informações de bastidores indicam que ela não pretende abrir mão dessa escolha, o que teria dificultado o consenso dentro do partido.
O cenário ganhou ainda mais repercussão após divergências entre Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro se tornarem públicas nas redes sociais, evidenciando que nem mesmo dentro do núcleo bolsonarista existe consenso sobre alguns palanques estaduais.
A demora na definição aumenta a ansiedade de pré-candidatos, lideranças municipais e apoiadores, que aguardam uma posição para iniciar as articulações eleitorais de forma definitiva.
Sem Filtro
Quando um partido leva semanas para anunciar um candidato, a impressão que fica é que a decisão deixou de ser técnica e passou a ser política — e das mais pesadas. Se a promessa era escolher pelo resultado das pesquisas, resta saber se os números falarão mais alto ou se prevalecerão as articulações de Brasília.
No fim das contas, quem decide é Bolsonaro. E até ele falar, Mato Grosso do Sul continua vivendo um jogo de expectativas, pressões e bastidores.

