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Sete foram para o debate. Riedel não foi. E a cadeira vazia também entrou na campanha

Primeiro debate ao Governo de Mato Grosso do Sul colocou sete candidatos frente a frente. Riedel ficou de fora, Fábio Trad mostrou experiência e Catan aproveitou a oportunidade para ganhar espaço.

A campanha para o Governo de Mato Grosso do Sul começou a ganhar cara de campanha de verdade. Na manhã desta segunda-feira, 17 de agosto, sete dos oito candidatos registrados na Justiça Eleitoral participaram do primeiro debate, realizado pela Morena FM 107.1, com transmissão em vídeo pelo Primeira Página e mediação da jornalista Bruna Mendes.

Estavam lá Daniel Lemes, do PCO, Delcídio Amaral, do PRD, Fábio Trad, do PT, Jeferson Bezerra, do AGIR, João Henrique Catan, do NOVO, Lucien Rezende, do PSOL, e Renato Gomes, do DC.

Faltou Eduardo Riedel, do PP.

E não foi uma ausência qualquer. Riedel é o governador, candidato à reeleição e começa a campanha na dianteira das pesquisas. Justamente por isso, sua cadeira vazia acabou chamando atenção. Sete candidatos falando e, em vários momentos, o assunto inevitavelmente passava pelo governo de quem não estava ali para responder.

Pode ter sido estratégia. Quem está na frente normalmente não tem muita vontade de entrar numa sala com sete adversários dispostos a cobrar, questionar e procurar uma brecha. Politicamente, a conta é compreensível. Só existe um detalhe: quando o governador não vai, os outros falam do governo à vontade. E cadeira vazia não pede direito de resposta.

O debate não teve aquela pancadaria eleitoral que muita gente esperava. Foi mais uma apresentação das armas para uma campanha que ainda está começando. Mesmo assim, deu para perceber quem entrou apenas para participar e quem entendeu que aquele primeiro microfone era uma oportunidade para crescer.

Na avaliação do Bonito Sem Filtro News, João Henrique Catan foi um dos candidatos que melhor aproveitou essa oportunidade.

Catan não entrou no debate na mesma situação de Riedel ou Fábio Trad. Para ele, o desafio era outro. Precisava aparecer, marcar posição e mostrar ao eleitor que a eleição não precisa ficar resumida aos nomes que começaram na frente. E conseguiu fazer isso sem precisar transformar cada resposta num espetáculo.

Isso não quer dizer que Catan ganhou a eleição numa manhã de segunda-feira. Calma lá. Debate não faz milagre e urna continua sendo urna. Mas candidato que ainda precisa crescer tem uma missão simples nesses encontros: entrar conhecido por um grupo e sair conhecido por um grupo maior. Nesse quesito, Catan saiu melhor do que entrou.

Fábio Trad também mostrou experiência. Sabe falar, conhece o ambiente político e entrou no debate com o peso de quem aparece como um dos principais adversários do atual governador. Não precisava inventar personagem nem disputar no grito. Precisava passar segurança e mostrar que está preparado para uma campanha longa. Fez isso.

Delcídio Amaral também não é novato nesse tipo de palco. Ex-senador e ex-ministro, conhece o relógio de debate, sabe usar o microfone e sabe que, em política, alguns minutos bem aproveitados podem render mais do que dezenas de vídeos nas redes sociais.

Os demais candidatos tiveram a oportunidade de apresentar seus nomes e posições, algo especialmente importante numa eleição em que boa parte do eleitorado ainda começa a conhecer todas as opções disponíveis.

Mas a ironia do primeiro debate ficou mesmo por conta de quem não estava lá.

Riedel não precisou responder perguntas, não precisou enfrentar diretamente os adversários e não correu o risco de cometer algum erro diante das câmeras. Em compensação, também abriu mão da oportunidade de defender pessoalmente o próprio governo.

Talvez tenha sido exatamente essa a estratégia.

Só que campanha eleitoral tem dessas: às vezes você falta para não virar alvo e acaba virando assunto do mesmo jeito.

Se fosse preciso fazer um pódio desse primeiro encontro, pela capacidade de aproveitar o espaço disponível, Catan estaria entre os destaques, com Fábio Trad mostrando experiência e Delcídio fazendo valer a quilometragem política. Não é pesquisa eleitoral, muito menos sentença sobre quem vai ganhar em outubro. É uma leitura do primeiro confronto.

Riedel continua sendo um dos homens a serem batidos nesta eleição. Isso não mudou porque faltou a um debate. O que mudou foi que, pela primeira vez nesta campanha, seus adversários tiveram algumas horas de microfone aberto para mostrar ao eleitor por que querem ocupar a cadeira dele.

Sete apareceram.

Um não.

E, para começo de campanha, até a cadeira vazia conseguiu entrar no debate.

Bonito Sem Filtro News

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