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R$ 11 BILHÕES EM RENÚNCIA FISCAL: DEBATE COLOCA RIEDEL, AZAMBUJA E GRANDES EMPRESAS NO CENTRO DA COBRANÇA

DEBATE EXPÕE FERIDAS DO GOVERNO RIEDEL E SORTEIO SEM VISÃO COMPLETA DEIXA DÚVIDAS

O debate entre os candidatos ao Governo de Mato Grosso do Sul foi dominado pelas críticas à administração de Eduardo Riedel. Saúde, estradas, segurança pública, folha salarial e renúncias fiscais colocaram a propaganda oficial diante da realidade enfrentada por quem depende dos serviços do Estado.

As filas por consultas, exames, cirurgias e vagas hospitalares mostraram novamente a distância entre o discurso do governo e o sofrimento da população. Enquanto o palanque anuncia avanços, pacientes continuam esperando atendimento e famílias percorrem corredores atrás de uma vaga. Na saúde real, o tempo da propaganda corre muito mais rápido do que o da regulação.

As críticas também alcançaram as estradas, a segurança pública e o peso da máquina estadual. Com cerca de 60% da arrecadação comprometida com a folha, sobra a pergunta sobre a qualidade do serviço entregue. Para quem enfrenta buracos, demora no atendimento e falta de estrutura, o Mato Grosso do Sul mostrado nas peças publicitárias parece existir apenas onde não há fila nem estrada esburacada.

Outro ponto pesado foi a renúncia fiscal. Fábio Trad afirmou que o governo concede cerca de R$ 11 bilhões em benefícios tributários em apenas um ano, enquanto não consegue resolver as filas por consultas, exames e cirurgias. O valor foi apresentado pelo candidato e cabe ao governo detalhar publicamente a conta, empresa por empresa, incluindo quanto cada grupo deixou de recolher e qual retorno entregou à população. (www.bol.uol.com.br)

A política não nasceu com Riedel. Durante o governo Reinaldo Azambuja, aproximadamente 1.200 acordos de benefícios fiscais receberam segurança jurídica e foram prorrogados. Atualmente, levantamento baseado em dados da FGV-Ibre aponta 1.535 empresas beneficiadas em Mato Grosso do Sul, entre elas Eldorado Brasil Celulose, Suzano, JBS, Marfrig, Aurora Alimentos e BRF. (agenciadenoticias.ms.gov.br)

Em uma relação divulgada ainda na gestão Azambuja, apareceram 23 empresas contempladas, incluindo JBS, Cervejaria Petrópolis, C.Vale Cooperativa, Gazin, Kepler Weber, São Fernando Açúcar e Álcool, Tonon Energia, Cobb-Vantress, Ferticel, Blocobras e Vó Erminia Alimentos. O benefício pode gerar investimentos e empregos, mas precisa vir acompanhado de transparência. Quando o governo anuncia o investimento e esconde o tamanho do imposto dispensado, mostra o banquete e guarda a comanda. (www.campograndenews.com.br)

O caso mais delicado envolve a JBS. Investigação levada ao Superior Tribunal de Justiça tratou de cinco acordos fiscais firmados entre o Estado e o grupo. Wesley Batista declarou que cerca de R$ 70 milhões teriam sido pagos entre 2015 e 2016 em troca de benefícios fiscais. Reinaldo Azambuja negou as acusações e defendeu a legalidade dos incentivos, não havendo condenação definitiva que autorize apresentar a denúncia como fato comprovado. (www.jusbrasil.com.br)

Riedel tenta se apresentar como renovação, mas foi secretário de Azambuja e herdou a estrutura política, administrativa e tributária construída pelo antecessor. Mudaram algumas siglas e cadeiras, porém os grandes beneficiários continuam conhecidos, enquanto o cidadão permanece esperando que o governo descubra onde guardou a eficiência anunciada na televisão.

O sorteio realizado durante a transmissão também chamou atenção pela falta de transparência visual. O recipiente com as fichas não apareceu por inteiro, a câmera não mostrou claramente a mão da apresentadora no momento da retirada e nenhum segundo ângulo permitiu acompanhar o procedimento completo. Isso não comprova irregularidade, mas representa uma falha que poderia ter sido facilmente evitada. Em eleição, não basta fazer corretamente; é necessário permitir que todos vejam como foi feito.

O debate não precisa declarar campeão para deixar uma conclusão incômoda. Depois de tantos anos do mesmo grupo no comando, Riedel precisa explicar por que o governo conhece o caminho para conceder benefícios bilionários às grandes empresas, mas ainda não encontrou um atalho para quem espera cirurgia, vaga hospitalar, segurança ou uma estrada que não se desmanche antes da próxima campanha.

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