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Oito para dizer “sim” e um povo esperando ouvir um “não”: quem fiscaliza a Prefeitura de Bonito?

Se você acha que a principal função de um vereador é levantar a mão e dizer “aprovado”, então Bonito está vivendo a administração perfeita. Afinal, quando praticamente tudo passa sem grandes dificuldades, fica a impressão de que está tudo maravilhoso. Não existem problemas, não existem dúvidas, não existem contratos que mereçam um olhar mais atento, não existem gastos que precisem de explicações. Parece até uma prefeitura de outro planeta.

Mas será que é assim mesmo?

Enquanto a população reclama de impostos, obras, turismo em queda, gastos públicos e diversos problemas do município, na Câmara Municipal o clima parece ser de absoluta tranquilidade. O prefeito envia um projeto, a maioria aprova. Envia outro, aprova de novo. E assim segue o roteiro.

Coincidência? Convicção? Ou simplesmente ninguém quer desagradar o Executivo?

A pergunta fica no ar.

Nos bastidores, comenta-se que vereadores tentam reunir assinaturas para instaurar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). Falta apenas um voto. Um único vereador disposto a permitir que uma investigação aconteça. Nem condenação, nem absolvição antecipada. Apenas investigação.

Mas parece que investigar virou um verbo proibido.

Vale lembrar que CPI não condena ninguém. CPI serve justamente para esclarecer fatos. Quem não deve, não teme. Então, por que tanta dificuldade?

Agora, a pergunta mais importante não é para o prefeito.

É para os oito vereadores que formam a maioria.

Os eleitores gostariam de saber:

• Fiscalizar incomoda?
• O que impede apoiar uma investigação quando parte da população pede mais transparência?
• A Prefeitura realmente não comete nenhum erro digno de apuração?
• Quantas vezes seu gabinete fiscalizou contratos, obras ou gastos públicos?
• Quantos pedidos de informação foram feitos pelo seu mandato?
• O senhor foi eleito para representar a população ou para funcionar como departamento de aprovação da Prefeitura?
• O mandato pertence ao povo ou ao prefeito?
• Se amanhã surgir uma denúncia séria, o senhor investigará ou aguardará alguém dizer que pode?

São perguntas simples. Tão simples quanto apertar o botão “sim” durante uma votação.

A Câmara Municipal existe para equilibrar os poderes, não para transformá-los em um só. Quando Executivo e Legislativo caminham sempre no mesmo compasso, sem divergências, sem debates e sem fiscalização visível, quem perde é a população.

E antes que alguém diga que isso é perseguição política, vale um lembrete: cobrar transparência nunca foi crime. Fiscalizar nunca foi ofensa. Questionar nunca foi golpe.

Quem ocupa cargo público recebe salário pago pelo contribuinte justamente para responder perguntas como essas.

Chegou a hora de a população fazer o que muitos esperam que a Câmara faça: fiscalizar.

Procure o vereador em quem você votou. Pergunte. Cobrem nas redes sociais. Participem das sessões. Exijam respostas. Porque o silêncio de quem foi eleito para fiscalizar custa caro — e essa conta, como sempre, sobra para o cidadão.

Bonito Sem Filtro – Quando a Câmara prefere o conforto do aplauso ao incômodo da fiscalização, cabe ao povo lembrar aos vereadores quem realmente é o patrão.

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