Em podcast, a rapper disse que suas músicas levaram jovens por caminhos errados e que mudaria o conteúdo de faixas antigas se pudesse
Em entrevista ao Bryce Crawford Podcast, Nicki Minaj falou sobre arrependimentos artísticos — e a declaração surpreendeu até fãs mais próximos. A rapper disse que se arrepende de parte das letras que escreveu ao longo da carreira, acredita que sua música contribuiu para levar jovens por caminhos que considera equivocados e que, se pudesse, voltaria atrás para alterar o conteúdo de faixas antigas. “Se eu pudesse, mudaria”, afirmou, referindo-se a músicas marcadas pela hipersexualidade e pelo materialismo que definiram boa parte de sua discografia.
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Nicki Minaj wishes she could change her old lyrics…
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— TMZ (@TMZ) June 16, 2026
A fala se insere em uma transformação pública que Nicki vem atravessando nos últimos meses. A artista tem se aproximado abertamente de posições conservadoras e de uma espiritualidade mais explícita, movimento que inclui desde postagens religiosas nas redes sociais até uma mensagem parabenizando o presidente Donald Trump por seu aniversário. Para quem acompanha sua trajetória desde Pink Friday (2010), a mudança de tom é significativa.
No podcast, Nicki foi além do arrependimento pessoal e fez uma afirmação mais ampla: na sua visão, o rap muitas vezes não conduz as pessoas em direção a Deus e pode, ao contrário, ter um caráter que ela descreve como “demoníaco”. A declaração coloca a própria artista em uma posição paradoxal, já que ela ajudou a construir e a popularizar exatamente o tipo de conteúdo que agora critica.
Esse tipo de reposicionamento não é inédito no rap, artistas como Kanye West e Chance the Rapper já passaram por transformações espirituais públicas que redirecionaram a relação com a própria obra. No caso de Nicki, porém, a sobreposição entre virada religiosa e alinhamento conservador torna o movimento mais complexo de interpretar. A crítica ao conteúdo do rap americano, afinal, é historicamente um argumento recorrente da direita nos Estados Unidos, que há décadas usa a música como alvo em debates sobre moral e influência cultural.
A reação dos fãs foi dividida. Parte do público celebrou a franqueza da rapper sobre a própria trajetória; outra viu as falas como um afastamento dos valores que marcaram sua carreira e da comunidade que a sustentou.
O episódio das letras se soma a uma série de declarações recentes que vêm redesenhando a imagem pública de Nicki: em fevereiro, ela afirmou, em conversa com a política Katie Miller, não acreditar que os Estados Unidos tenham pousado na Lua; e, no mesmo Bryce Crawford Podcast, não descartou a existência do Illuminati, dizendo ter enfrentado uma “guerra espiritual” na indústria.

