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Meio Ambiente: Com 143 inquéritos abertos, fiscalização tenta conter impactos nos rios de Bonito

Bonito Sem Filtro News

Os rios cristalinos de Bonito e da Serra da Bodoquena seguem dependendo de ações constantes de fiscalização, conservação do solo e controle da ocupação do território para manter suas características únicas. Em uma região pressionada pelo crescimento do turismo, pela expansão da agropecuária e pelo avanço imobiliário, o Ministério Público, órgãos estaduais, prefeitura e entidades ambientais atuam em conjunto para combater o desmatamento, o assoreamento e a degradação de nascentes e cursos d’água.

Somente na Promotoria de Justiça de Bonito, estão em andamento cerca de 300 procedimentos, a maioria ligada a questões ambientais. Desses, 143 são inquéritos civis e outros 73 processos administrativos voltados ao cumprimento de Termos de Ajustamento de Conduta. Conforme explica o promotor substituto Felipe Blos Orsi, a estratégia é agir de forma preventiva sempre que possível. “Só levamos à esfera judicial quando não há acordo ou cumprimento das medidas”, destacou.

Os problemas mais monitorados são o desmatamento, construções irregulares em Áreas de Preservação Permanente, loteamentos clandestinos, atividades sem licença e, principalmente, as intervenções que causam assoreamento e turvação das águas. Para o Ministério Público, alterações inadequadas próximas aos rios afetam toda a bacia hidrográfica, provocando poluição e perda de qualidade ambiental. O trabalho de fiscalização conta também com o uso de imagens de satélite para identificar desmatamentos e ocupações irregulares.

Um dos pontos centrais das discussões atuais envolve as licenças ambientais concedidas pelo Imasul para abertura de áreas para monocultura. A crítica é que as autorizações eram analisadas de forma individual, sem considerar o impacto conjunto de todas as intervenções na região. “Faltava uma visão de todo o território e dos efeitos somados de cada atividade”, explicou o promotor. O órgão também acompanha riscos vindos do turismo, como excesso de visitantes, extravasamento de esgoto e crescimento urbano sem estrutura de drenagem.

Paralelamente à fiscalização, entidades como o Instituto das Águas da Serra da Bodoquena (IASB) trabalham diretamente no território para evitar que a chuva carregue terra e sedimentos para os rios. Criado diante da crescente pressão humana sobre a região, o instituto desenvolve projetos de recuperação de nascentes, reflorestamento de matas ciliares, construção de estruturas de contenção e adequação de estradas rurais.

Um dos principais programas é o Águas de Bonito, na bacia do Rio Mimoso, que orienta produtores e implanta técnicas para aumentar a infiltração da água no solo. O resultado já pode ser visto: o tempo de turvação dos rios após chuvas fortes diminuiu, embora ainda seja maior do que em décadas passadas. “Antes a água voltava ao normal em um ou dois dias; hoje chega a demorar uma semana”, lembrou Eduardo Folley Coelho, presidente do IASB.

A Fundação Neotrópica do Brasil também atua na recuperação de áreas degradadas, monitoramento da qualidade da água e projetos de turismo sustentável. O gestor ambiental Fernando de Almeida Louveira reforça que o carreamento de sedimentos vem da combinação de vários fatores: avanço da agricultura, solo exposto, redução de matas protetoras e estradas sem manutenção. “As lavouras também podem levar material para as vias e, depois, para os rios. O problema é sistêmico”, afirmou.

O manejo do solo também é foco do programa estadual Prosolo Rios Cênicos, que atua nas bacias dos rios Formoso, Prata, Salobra e Betione. Segundo o engenheiro agrônomo Paulo Sérgio Gimenes, as estradas rurais sem drenagem adequada são hoje um dos maiores responsáveis pelo transporte de sedimentos. Desde 2019, qualquer mudança de uso do solo na região exige projeto técnico aprovado, e mais de 35 km de estradas já foram readequados. Ações integradas com universidades e institutos buscam ainda mapear pontos críticos e reduzir os impactos.

Na área urbana, a prefeitura de Bonito incluiu a drenagem e a conservação ambiental como eixos do novo Plano Diretor. Para o secretário municipal de Meio Ambiente, Thyago Sabino, a solução passa por ampliar a pavimentação e adotar tecnologias que permitam a infiltração da água. “Muitas vias não são asfaltadas e, com a chuva, todo o material segue direto para os pontos mais baixos”, explicou.

Todas essas ações visam proteger um dos patrimônios naturais mais importantes do país. A transparência das águas de Bonito está ligada à geologia calcária da região, que funciona como um filtro natural, mas é também muito sensível a qualquer alteração no ambiente. Preservar esses rios significa garantir não só o turismo, mas também o equilíbrio hídrico de toda a bacia do Alto Paraguai e do Pantanal.

Com informações do site Campo Grande News

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