Bonito sempre vendeu a imagem de uma cidade tranquila. Mas, quando o assunto é política, muita gente anda preferindo o silêncio.
Basta perguntar sobre a administração municipal e a resposta vem quase no automático: “Melhor nem comentar.” Tem quem olhe para os lados antes de falar, quem peça para não citar o nome e quem prefira guardar a opinião para dentro de casa. O motivo? O receio de que uma crítica possa terminar em uma sala de audiência.
Ninguém discute que qualquer cidadão tem o direito de defender sua honra na Justiça. Isso vale para todos, inclusive para quem ocupa cargo público. O que chama a atenção é outra coisa: quando o medo de um processo passa a fazer parte da rotina de quem gostaria apenas de reclamar de um buraco, de uma obra mal executada, de um problema na saúde ou de cobrar explicações sobre o dinheiro público.
E convenhamos… prefeito não foi eleito para colecionar elogios. Foi eleito para ouvir reclamações também. Aliás, se todo mundo só bater palma, para que servem a Câmara de Vereadores, a imprensa e a própria população?
Enquanto isso, as ruas continuam falando por si. Tem obra recém-entregue que já apresenta afundamentos e buracos. Tem cidadão esperando respostas. Tem vereador que prefere o silêncio. E tem morador que já não sabe se vale mais a pena reclamar ou fingir que está tudo perfeito.
A pergunta que fica é simples: uma cidade melhora quando as pessoas apontam os problemas ou quando passam a ter medo de falar deles?
Democracia não combina com plateia silenciosa. Administração pública não é espetáculo para receber apenas aplausos. Quem administra recursos públicos precisa conviver com perguntas, críticas e cobranças. Faz parte do cargo. Faz parte da democracia.
Porque, no fim das contas, o maior problema não é uma publicação nas redes sociais. O maior problema é quando o cidadão começa a acreditar que é mais seguro ficar calado do que exercer o direito de cobrar.
Bonito Sem Filtro continuará fazendo aquilo que acredita ser seu dever: informar, questionar e cobrar transparência, sempre respeitando os limites da lei e o direito de resposta. Porque o problema nunca foi quem faz a pergunta. O problema sempre foi quem não gosta de respondê-la.

