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Mais esgoto, um emissário de quase R$ 28 milhões e uma pergunta sobre o Córrego Mutum também merece ver respondida

Antes de qualquer crítica, um reconhecimento: ampliar o saneamento básico é uma necessidade para uma cidade que cresce como Bonito. Ligar mais moradores à rede de esgoto significa mais saúde pública, menos fossas e mais proteção ambiental.

Foi exatamente esse o discurso apresentado pelo prefeito Josmail Rodrigues e pelo diretor-presidente da Sanesul, Renato Marcílio, ao anunciarem a ampliação do Sistema de Esgotamento Sanitário.

O prefeito afirmou que a obra acompanha o crescimento do município e representa mais qualidade de vida e preservação ambiental.

Já o presidente da Sanesul destacou que a expansão fortalece a infraestrutura de saneamento e prepara Bonito para o futuro.

Até aqui, tudo certo.

Agora vem a parte que o Bonito Sem Filtro News gosta de fazer: abrir os documentos.

 O que está sendo construído

O Imasul, por meio da Licença de Instalação (Ampliação) nº 1607/2024, autorizou a ampliação do Sistema de Esgotamento Sanitário de Bonito.

No documento consta um valor de referência de R$ 27.763.361,00.

A obra prevê a implantação de um novo emissário para retirar o lançamento do efluente tratado da bacia do Córrego Bonito/Rio Formoso e conduzi-lo até o Córrego Mutum, além da implantação de uma Estação Elevatória de Esgoto Tratado.

Paralelamente, a Sanesul publicou o Edital de Licitação nº 029/2026, que amplia a coleta de esgoto no município.

Entre as intervenções estão a implantação de rede coletora, ligações domiciliares e uma estação elevatória de esgoto bruto para atender o Condomínio Solar dos Lagos e a região da vila Nossa Senhora Aparecida.

Em outras palavras…Bonito continua crescendo…Mais bairros entram na rede.

Mais esgoto será coletado.

Mais volume chegará diariamente ao sistema de tratamento.

 É justamente aqui que começam as perguntas

Se a coleta aumenta, a Estação de Tratamento também aumentou sua capacidade?

Qual é a vazão que a ETE trata atualmente?

Qual será a vazão quando os novos empreendimentos estiverem totalmente conectados?

Existe obra de ampliação da unidade de tratamento ou a principal intervenção foi a construção do emissário?

Afinal acidentes existem leiam a reportagem no Link

https://g1.globo.com/ms/mato-grosso-do-sul/noticia/2024/10/17/pma-multa-estacao-de-tratamento-de-esgoto-em-r-500-mil-por-poluicao-em-afluente-do-rio-formoso-em-bonito.ghtml

São perguntas técnicas e absolutamente naturais em uma obra dessa dimensão.

E durante a alta temporada?

Outro ponto importante raramente aparece nas apresentações institucionais.

Bonito vive do turismo.

Nos períodos de férias e feriados prolongados, hotéis, pousadas, restaurantes e atrativos recebem um número muito maior de visitantes.

Consequentemente, a produção de esgoto também aumenta.

Nessa época, a população tem o direito de saber:

A qualidade do efluente tratado permanece a mesma mesmo com o aumento da carga?

Existem relatórios públicos demonstrando a eficiência da ETE justamente durante os períodos de maior movimento?

Com a palavra o IASB “Guardião das Águas da Serra da Bodoquena”. gostariamos de ter um parecer técnico a respeito da qualidade do efluente despejado atualmente na bacia do rio Formoso.

Esses dados são fundamentais para que a sociedade acompanhe a eficiência do sistema.

 Mutum também faz parte da conta

Retirar o lançamento da bacia do Rio Formoso atende a uma antiga preocupação ambiental e ajuda a proteger uma das principais vitrines do turismo brasileiro.

Mas isso naturalmente leva a outra pergunta.

Quais estudos demonstram que o Córrego Mutum comportará esse novo lançamento ao longo do tempo?

Foram avaliadas a vazão do córrego durante a estiagem, sua capacidade de assimilação e os parâmetros de qualidade da água após a mudança?

Existe um plano permanente de monitoramento ambiental para acompanhar os efeitos da operação?

São questões que interessam tanto aos moradores quanto aos produtores rurais e aos órgãos ambientais.

Tradutor Oficial do Bonito Sem Filtro

O discurso oficial diz:

“Estamos ampliando a coleta, protegendo o Rio Formoso e investindo em saneamento.”

Bonito sem filtro responde:

“Excelente. Agora mostrem os estudos que comprovam que a ETE acompanha esse crescimento e que o Córrego Mutum receberá esse novo lançamento sem prejuízos ambientais.”

Porque saneamento de qualidade não se mede apenas pelo tamanho da tubulação.

Também se mede pela transparência dos dados, pela capacidade de tratamento e pelo monitoramento dos resultados.

O Rio Formoso merece proteção. O Córrego Mutum também.

E quem paga a conta merece conhecer todas as respostas.

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