InícioMundoApós pedido de Trump, China liberta pastor preso - 06/07/2026 - Mundo

Após pedido de Trump, China liberta pastor preso – 06/07/2026 – Mundo


O pastor de uma importante igreja clandestina na China, que havia sido detido no ano passado como parte de uma repressão às atividades religiosas, foi libertado na sexta-feira (4), informou sua filha.

A libertação ocorreu menos de dois meses depois de o presidente Donald Trump ter tratado o caso diretamente com o líder chinês, Xi Jinping.

O pastor, Jin Mingri, também conhecido como Ezra, foi solto após passar mais de 250 dias sob custódia e recebeu autorização para viajar aos Estados Unidos.

Jin, pastor e fundador da Igreja Zion, foi detido em outubro e acusado de “uso ilegal de redes de informação”. Depois que as autoridades chinesas fecharam a sede física de sua igreja em Pequim, em 2018, ele transferiu suas atividades para a internet, transmitindo seus sermões online.

As transmissões alcançaram grande popularidade, chegando a um público estimado de 10 mil pessoas em toda a China, segundo sua filha, Grace Jin Drexel.

A prisão dele fez parte de uma campanha mais ampla contra grupos religiosos na China. Diversos outros pastores também foram detidos à medida que o governo de Xi intensificava o controle sobre organizações religiosas.

Jin, 57, foi uma das duas pessoas que não são cidadãs americanas cujos casos foram mencionados por Trump durante um encontro com Xi, em maio, em Pequim. O outro foi Jimmy Lai, empresário da mídia e ativista pró-democracia de Hong Kong, que possui cidadania britânica.

Na ocasião, Trump disse aos jornalistas que Xi havia afirmado que “consideraria seriamente o caso do pastor”, mas que a situação de Lai era “mais complicada”. Em fevereiro, Lai foi condenado a 20 anos de prisão por um tribunal de Hong Kong, após ser considerado culpado por “conspiração para colaborar com forças estrangeiras”.

Em entrevista por telefone no sábado, Grace Jin Drexel afirmou estar “imensamente feliz e grata” pela libertação do pai.

Ela contou que se reencontrou com ele, quando chegou a Los Angeles. Foi a primeira vez que os dois se viram desde 2020. Segundo ela, Jin também pôde conhecer pela primeira vez seu neto de apenas um mês de idade, que recebeu o nome de Ezra em sua homenagem.

Mais tarde, Grace divulgou uma declaração em nome da família agradecendo “ao presidente Trump e à sua administração por sua extraordinária liderança”.

“Sabemos que isso não teria sido possível sem a intervenção direta do presidente Xi Jinping”, afirma o comunicado. “Esperamos que este seja um sinal de uma mudança positiva para as pessoas de fé na China e para as relações entre nossos dois países.”

John Kamm, fundador da organização americana de direitos humanos Dui Hua, que há muitos anos defende a libertação de presos políticos chineses, afirmou que o fato de Jin ter sido libertado na véspera do Dia da Independência dos Estados Unidos tem um significado simbólico.

“Isso confirma o que digo há muitos anos: quando os chineses querem muito obter alguma coisa, eles estão dispostos a fazer concessões”, afirmou Kamm.

As relações entre China e Estados Unidos se estabilizaram em grande parte após um conturbado ano de 2025, marcado por ameaças econômicas mútuas e tarifas retaliatórias. Apesar das tensões persistentes, ambos os países concordaram, em maio, em adotar uma política de “estabilidade estratégica construtiva” para impedir que a relação evoluísse para um conflito direto.

Entre as mudanças de política que a China há muito deseja dos EUA está o fim das vendas de armas para Taiwan, que Xi descreveu como “a questão mais importante nas relações entre China e Estados Unidos”.

Trump afirmou ter discutido com Xi, durante a cúpula, as transferências de armamentos para Taiwan, ilha autônoma que Pequim considera parte de seu território. O presidente americano chamou de “uma excelente carta de negociação” um pacote de armas de US$ 14 bilhões aprovado pelo Congresso em janeiro, cuja implementação permanece suspensa pela Casa Branca.

Antes de sua prisão, Jin já vinha sendo submetido durante anos à vigilância e ao assédio por parte das autoridades. Segundo Grace, ele foi impedido de deixar a China para visitar seus familiares, que emigraram em 2018. Ela, sua mãe e seus dois irmãos mais novos vivem atualmente nos EUA.

Embora a Constituição chinesa garanta a liberdade religiosa, na prática o Partido Comunista Chinês permite que apenas congregações rigidamente controladas e aprovadas pelo Estado atuem livremente. Ainda assim, estima-se que dezenas de milhões de cristãos chineses frequentem igrejas clandestinas, também conhecidas como igrejas domésticas.

Grace Jin Drexel afirmou que continua profundamente preocupada com outros oito pastores da Igreja Zion que permanecem presos na China.

Um deles, Franklin Wang Lin, informou aos membros de sua igreja, em junho, que as autoridades acrescentaram recentemente uma acusação de fraude às acusações já existentes de “operações comerciais ilegais”.

Em uma carta enviada à esposa, Su Ziming, por meio de seu advogado, Wang escreveu que perdeu mais de 13 kg durante o período de detenção e que sofre de desnutrição.

Segundo Wang, as autoridades procuram caracterizar como fraude a arrecadação de ofertas e doações feitas por cristãos, o que, segundo ele, representa uma rejeição de “dois mil anos de tradição da fé e da prática cristãs”. “Nossa fé não é um crime”, afirmou Su.



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