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Abandono no ensino médio cai 34% após Pé-de-Meia e chega a menor nível desde 2007


Os dados do Censo Escolar de 2025 revelam melhora nas taxas de abandono do ensino médio. A taxa dos que deixam de ir à escola nessa etapa, em escolas públicas, chegou a 2,5% no ano passado, a menor desde 2007, início da série histórica disponibilizada pelo MEC (Ministério da Educação).

A queda no abandono foi de 34% em relação a 2023, ano anterior ao início do Pé-de-Meia, que paga bolsas para estudantes do ensino médio com o objetivo de mantê-los na escola. O programa é uma das vitrines do governo Lula (PT), mobiliza orçamento bilionário e deve ter protagonismo na campanha para a tentativa de reeleição do presidente.

Os dados foram divulgados oficialmente nesta sexta-feira (26) pelo MEC. Resultados de aprovação e reprovação também tiveram avanço, tanto no médio quanto no ensino fundamental.

Abandono escolar ocorre quando o estudante deixa de frequentar a escola durante o ano letivo. É diferente da evasão, situação em que o aluno não volta ao sistema de ensino no ano seguinte.

Não é possível atribuir toda a melhora nos indicadores do ensino médio ao programa de bolsas, uma vez que essas taxas já tinham tendência de melhora nos últimos anos. Uma eventual relação causal entre a política e as taxas ainda depende de estudos aprofundados, mas os avanços são notáveis após o início dos pagamentos.

Na comparação com 2022, último da gestão Jair Bolsonaro (PL), a queda na taxa de abandono no médio foi de 61,5%. O índice de 5,6% naquele ano reflete os efeitos da pandemia, quando escolas foram fechadas e muitos jovens interromperam os estudos.

Em declaração enviada à imprensa, o ministro da Educação, Leonardo Barchini, relacionou os resultados a uma série de ações governamentais, como a melhor articulação com estados, aumento de matrículas de tempo integral, alta do financiamento geral e de recursos de programas federais como o de alimentação e transporte.

“Tudo isso contribui para um conjunto de melhorias que nós vislumbramos nos últimos quatro anos, mas eu poderia dizer que o Pé-de-Meia é carro-chefe dessa política toda”, disse.

A taxa de reprovação no ensino médio público também melhorou. Caiu 44% na comparação com 2023, passando de 5,7% para 3,2%.

As redes estaduais concentram 8 em cada 10 alunos do ensino médio no país.

Houve melhora na taxa de distorção idade-série, que mede o percentual de estudantes com 2 ou mais anos de atraso escolar. Passou de 24,3% em 2022 para 17,6% no ano passado, segundo divulgado pelo MEC.

No ensino fundamental, o abandono manteve tendência de melhoria dos últimos anos. Chegou a 0,2% nos anos iniciais e a 1% nos anos finais (eram de 0,3% e 1,4%, respectivamente, em 2023).

Melhoras nas taxas de reprovação chamam atenção. A maior variação ocorre nos anos finais do fundamental, com uma queda de 67% de 2023 a 2025.

A taxa nos anos finais ficou em 3,3% no ano passado, contra 5,4% em 2023. Redes de ensino têm adotado políticas que representam praticamente uma aprovação automática, sobretudo nas séries que participam da avaliação que define o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica).

O Ideb, termômetro da educação básica no país, é calculado a cada dois anos para 5º e 9º anos do ensino fundamental e 3º do médio. Ele leva em conta as notas em prova nacional aplicada também ano passado, além das taxas de aprovação e reprovação —menos alunos retidos pode significar melhor Ideb.

No ano passado, por exemplo, a reprovação foi de 4,2% no 6º ano do fundamental, ficou em 3,9% no 7º ano, 3% no 8º ano, até finalmente marcar apenas 2% no 9º ano, último da etapa.

Programa é vitrine do governo Lula

O Pé-de-Meia prevê bolsas mensais e uma poupança para alunos, que pode ser retirada só ao fim de cada ano, além de valor extra para quem faz o Enem. O governo iniciou a política em 2024 para alunos da etapa regular, de famílias beneficiadas pelo Bolsa Família, depois ampliou para o EJA (Educação de Jovens e Adultos) e para todo o CadÚnico (cadastro geral para acesso a programas sociais).

O programa passou a ter um custo anual de cerca de R$ 12 bilhões. Os valores estavam fora do orçamento e seriam operados por um fundo, mas o Tribunal de Contas da União obrigou sua inclusão nas rubricas da pasta —o que criou pressão fiscal para a gestão.

Assim, o Pé-de-Meia passou a comprometer cerca de dois terços do orçamento discricionário (não obrigatório) do MEC. Drenou dinheiro de outras políticas prioritárias, como de alfabetização e tempo integral.



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