Bonito é conhecida mundialmente por suas belezas naturais. Agora parece caminhar para ganhar outro título: a cidade que investe em estrutura para os eventos… acontecerem em outros municípios.
Na sessão da Câmara Municipal, o vereador Alemão do Som trouxe uma informação que merece atenção. Segundo ele, o organizador do Bonito Eco Fight protocolou um pedido para utilizar o Ginásio Municipal de Esportes na realização da sexta edição do evento. A resposta da Prefeitura foi negativa.
A situação chama ainda mais atenção porque o próprio vereador lembrou que o ginásio passou recentemente por uma reforma que, segundo informou na tribuna, consumiu cerca de R$ 1,5 milhão, entre recursos do município e verbas do Fundo de Esporte.
A pergunta é inevitável: reformou para quê?
Se o espaço público não pode receber um dos maiores eventos de lutas da região, qual é a finalidade de tanto investimento?
Sem ginásio em Bonito, a solução apareceu rapidamente. A Prefeitura de Jardim, por meio do prefeito Guga, abriu as portas. Resultado: o Bonito Eco Fight será realizado em Jardim.
Sim… você não leu errado.
O evento chama Bonito Eco Fight, mas quem vai receber atletas, equipes, familiares, patrocinadores, público e toda a movimentação econômica será Jardim.
É como abrir um restaurante chamado “Bonito”, servir o almoço na cidade vizinha e achar que está tudo certo.
Mas isso parece não ser novidade.
O tradicional Bonito Blues também deixou de acontecer em Bonito. Hoje, o festival é realizado em Rio Verde de Mato Grosso, no Mato Grosso do Sul.
O Festival da Guavira, que já integrou o calendário de eventos do município e ajudava a valorizar a cultura regional, também ficou pelo caminho.
Os tradicionais eventos de canoagem, que aproveitavam um dos maiores patrimônios naturais de Bonito e atraíam atletas e visitantes, também deixaram de ter o destaque de outros tempos.
Independentemente das justificativas apresentadas para cada caso, o resultado prático é impossível esconder: Bonito vem acumulando a perda de eventos que movimentavam a economia, promoviam o destino e fortaleciam o turismo.
Enquanto isso, comerciantes reclamam da queda no movimento, empresários do turismo falam em retração do setor, hotéis sentem a redução da ocupação, restaurantes, bares, lojas, agências de turismo e postos de combustíveis deixam de faturar com a movimentação que grandes eventos costumam gerar.
E quando surge a oportunidade de trazer centenas ou até milhares de pessoas para movimentar a economia local, fortalecendo diversos setores do comércio e dos serviços, a resposta é “não”.
Parece até que Bonito descobriu um novo modelo de desenvolvimento econômico: investe com dinheiro do contribuinte, mas deixa o retorno financeiro para os municípios vizinhos.
Jardim agradece pelo Eco Fight.
Rio Verde de Mato Grosso agradece pelo Blues.
As cidades que passaram a receber competições e eventos esportivos agradecem.
E Bonito? Bonito assiste.
Assiste os visitantes indo embora.
Assiste os hotéis perdendo hóspedes.
Assiste os restaurantes com menos mesas ocupadas.
Assiste o comércio vender menos.
Assiste os postos de combustíveis abastecerem menos.
E depois tenta entender por que o turismo desacelera.
A pergunta que fica para a administração municipal é simples: Bonito ainda quer ser referência em eventos ou está satisfeita em ser apenas uma bela cidade para visitar durante o dia, enquanto a movimentação econômica vai dormir em outro município?
Porque, se continuar nesse ritmo, talvez seja necessário atualizar o calendário oficial de eventos de Bonito.
Não para incluir novas atrações.
Mas para registrar, uma a uma, aquelas que a cidade deixou escapar.
Bonito Sem Filtro — Cidade turística não vive apenas de paisagens. Vive também de eventos, cultura, esporte, turismo e decisões que mantenham a economia girando dentro

