Uma denúncia feita pelo vereador André Luiz durante a fala livre na Câmara Municipal trouxe à tona mais um caso que revolta a população de Bonito. Segundo o parlamentar, uma paciente em tratamento oncológico enfrenta dificuldades para conseguir um direito básico: o transporte para dar continuidade ao seu tratamento.
De acordo com o vereador, a mulher passou por uma cirurgia oncológica que até hoje não cicatrizou completamente e precisa comparecer, a cada 21 dias, ao Hospital de Amor, em Barretos (SP), onde realiza seu tratamento especializado.
O problema é que a família vive com uma renda mensal de aproximadamente R$ 2.500 e não possui condições financeiras de arcar com as despesas da viagem. Diante da situação, a paciente procurou a Assistência Social e também a Secretaria Municipal de Saúde em busca de auxílio para o transporte, mas, segundo o relato apresentado na tribuna, não obteve uma solução.
Ainda conforme André Luiz, o prefeito, em um áudio encaminhado sobre o caso, afirmou que iria verificar se existe alguma lei que permita que uma ambulância do município transporte pacientes para outro estado.
A resposta, no entanto, levanta um questionamento inevitável: enquanto se procura uma lei, quem cuida da paciente?
Vale lembrar que o Sistema Único de Saúde (SUS) possui o programa de Tratamento Fora do Domicílio (TFD), criado justamente para garantir que pacientes realizem tratamentos indisponíveis em seu município de residência. A legislação prevê mecanismos para assegurar o deslocamento desses pacientes, cabendo ao poder público analisar cada caso e oferecer os meios necessários para que o tratamento não seja interrompido.
O câncer não espera parecer jurídico. O tratamento tem data marcada. A consulta não pode ser adiada porque a burocracia ainda está “estudando” o assunto. Cada viagem perdida pode representar um risco ainda maior para quem já enfrenta uma batalha diária pela vida.
O caso exposto pelo vereador vai além de uma discussão administrativa. É uma questão de sensibilidade, prioridade e compromisso com quem mais precisa do poder público.
Se realmente houver dúvidas sobre a utilização de ambulâncias para transporte interestadual, cabe à administração buscar imediatamente a alternativa prevista na legislação para garantir que a paciente chegue ao Hospital de Amor. O que não pode acontecer é uma pessoa em tratamento oncológico ficar sem atendimento porque a máquina pública ainda procura respostas.
A população espera que a Prefeitura e a Secretaria Municipal de Saúde apresentem uma solução rápida. Afinal, quando se trata de um paciente com câncer, tempo não é apenas um detalhe: pode significar a diferença entre a continuidade do tratamento e o agravamento da doença.
No discurso, André Luiz fez um apelo para que o caso seja tratado com urgência e humanidade. Porque, no fim das contas, nenhuma interpretação burocrática pode se sobrepor ao direito à saúde e à dignidade de quem luta pela própria vida.
Bonito Sem Filtro — Porque quando a burocracia anda mais rápido que a solidariedade, quem paga a conta é sempre quem mais precisa.

