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Trump quer acordo, Irã hesita e Israel ataca Beirute – 14/06/2026 – Mundo


Donald Trump criticou neste domingo (14) o ataque israelense contra o Líbano que poderia complicar as tentativas de finalizar um acordo com o Irã para encerrar a guerra no Oriente Médio. Apesar disso, o presidente americano disse que um entendimento entre os países está próximo.

Na véspera, Trump afirmou que o acordo deveria ter sido assinado neste domingo, o que não havia ocorrido até às 14h30 (de Brasília).

O principal negociador de Teerã, Mohammad Baqer Qalibaf, havia declarado anteriormente que a ofensiva contra os subúrbios de Beirute, reduto do Hezbollah, coloca em dúvida a capacidade ou a disposição dos Estados Unidos de cumprir seus compromissos.

Segundo a agência estatal de mídia do Líbano, duas pessoas morreram e quatro ficaram feridas. A ofensiva ocorreu após Tel Aviv acusar o grupo extremista aliado de Teerã de disparar três projéteis contra o norte do país.

“O ataque desta manhã a Beirute não deveria ter acontecido, especialmente em um dia tão importante, quando estamos tão próximos de um acordo de paz com o Irã”, escreveu Trump, que completa 80 anos neste domingo, em uma publicação na Truth Social.

O presidente americano afirmou ainda que o acordo inclui o fim dos bombardeios no Líbano e sinalizou que “todas as partes devem recuar”.

O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, diverge de Trump sobre a pressão americana para que Israel reduza suas operações militares no Líbano e facilite um entendimento com Teerã. A retomada dos confrontos representa mais um capítulo das tensões que, em alguns momentos, vieram à tona entre os dois líderes.

Segundo pessoas envolvidas nas tratativas ouvidas pela Reuters, negociadores do Qatar viajaram para Teerã na manhã deste domingo para avançar nas conversas. O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, também afirmou que seu governo se preparava para uma assinatura eletrônica do acordo.

Teerã, no entanto, continua sem confirmar o cronograma. Antes mesmo do bombardeio, a agência estatal Fars informou, citando pessoas a par das negociações, que o governo iraniano ainda não havia tomado uma decisão final sobre o texto.

Após o ataque, um comandante militar iraniano advertiu nas redes sociais que o episódio não ficará “sem resposta”. A nova ofensiva expõe a fragilidade das negociações e do frágil cessar-fogo em vigor.

Tel Aviv insiste em manter sua campanha militar no país vizinho, enquanto o Irã considera um cessar-fogo que inclua o Líbano uma condição importante para qualquer acordo.

Na semana passada, um ataque israelense contra os subúrbios da capital libanesa desencadeou uma troca de ataques, aumentando o risco de fracasso de um plano de paz.

TERMOS DO ACORDO

Segundo um funcionário iraniano de alto escalão ouvido pela Reuters, o documento prevê que os EUA liberem US$ 25 bilhões em ativos iranianos congelados, enquanto o Irã se comprometeria a não produzir nem adquirir armas nucleares.

Trump escreveu anteriormente na Truth Social que, após a assinatura de um acordo, estreito de Hormuz, bloqueado por Teerã desde o início do conflito, seria imediatamente “aberto a todos”.

Assim que a via marítima fosse reaberta, os EUA levantariam seu bloqueio naval aos portos iranianos, segundo autoridades de ambos lados do conflito. O passo seguinte seria a remoção de minas navais na região, possivelmente com participação de países do G7.

As conversas sobre o programa nuclear iraniano, justificativa apresentada por Trump para a guerra e um dos pontos mais sensíveis das negociações, ocorreriam posteriormente, ao longo de um período de 60 dias.

Segundo uma autoridade iraniana ouvida pela Reuters, o país concordou em manter o status atual de seu programa nuclear —sem enriquecer mais urânio nem expandir instalações— até a conclusão de um acordo definitivo.

Um funcionário do governo americano afirmou que o objetivo final é desmontar o programa nuclear iraniano e eliminar seu estoque de urânio altamente enriquecido. Já o representante iraniano disse que a proposta permitiria ao país diluir internamente seu urânio enriquecido.

Os EUA consideram prioritária a eliminação das reservas iranianas de urânio enriquecido. O Irã nega buscar uma bomba atômica e afirma que seu programa nuclear tem fins exclusivamente civis e pacíficos.



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