A sede do SIMTED de Bonito, normalmente destinada às pautas dos trabalhadores da educação, ganhou no sábado, 5 de setembro, uma programação diferente. O espaço recebeu uma reunião com Vander Loubet, candidato do PT ao Senado, acompanhada por dirigentes sindicais e lideranças políticas locais. E, se alguém ainda pudesse confundir o encontro com uma visita institucional, a publicação feita depois tratou de facilitar a interpretação: “nosso candidato ao Senado” e, no encerramento, “Para Senador, VANDER 133”.

O encontro ocorreu na sede do Sindicato Municipal dos Trabalhadores em Educação de Bonito (SIMTED), na Rua Pedro Álvares Cabral, 300. Entre os presentes estava Maria do Carmo Souza Drumond, presidente da própria entidade. Portanto, não foi exatamente o caso de uma campanha que errou o endereço e acabou entrando numa reunião sindical por engano.
Também participaram lideranças políticas de Bonito, entre elas a vereadora Ramona Aquino, responsável pela publicação sobre o encontro, e Vânia Mugartt, liderança partidária local. A fotografia reuniu sindicato, política partidária e candidato numa mesma sala. O cafezinho, se teve, ficou pequeno diante da quantidade de política servida à mesa.
O detalhe mais saboroso é que Vander não apareceu como parlamentar visitando professores para ouvir reivindicações da categoria. Na postagem, foi apresentado pelo cargo que pretende conquistar nas urnas. Veio candidato, veio o número 133 e veio o pedido de voto. Para completar o figurino tradicional de campanha, praticamente só faltaram os santinhos sobre a mesa.
A aproximação de Vander com o movimento sindical da educação também não nasceu no sábado. A própria FETEMS já o definiu publicamente como “companheiro histórico das lutas da educação pública”, destacando sua relação com professores e trabalhadores da educação. O petista também participou, em agosto deste ano, do Congresso Estadual da Federação ao lado de outras lideranças políticas. FETEMS
Nada disso significa que professor, sindicalista ou dirigente sindical esteja proibido de ter candidato. Muito pelo contrário. Maria do Carmo pode votar em Vander, fazer campanha pessoalmente e defender suas convicções políticas. Os demais participantes têm exatamente o mesmo direito. Sindicato também pode dialogar com partidos e cobrar compromissos de políticos de qualquer campo ideológico.
A pergunta começa quando a preferência individual encontra o patrimônio da entidade.
A Lei das Eleições estabelece restrições ao recebimento, por partidos e candidatos, de recursos provenientes de entidades sindicais. O Tribunal Superior Eleitoral também possui jurisprudência sobre benefícios eleitorais provenientes de entidades de classe. Isso não permite concluir, somente pelas fotografias e pela postagem, que ocorreu alguma irregularidade em Bonito. Para isso seria necessário saber exatamente como a sede foi disponibilizada e quem arcou com eventuais despesas. Lei das Eleições no TSE
E é aí que algumas perguntas simples podem evitar uma aula inteira de interpretação eleitoral: quem autorizou a utilização da sede do SIMTED? A campanha pagou pelo espaço? Existe contrato, recibo ou outra formalização? O sindicato forneceu equipamentos, funcionários ou qualquer estrutura para o encontro? O salão está disponível, nas mesmas condições, para os demais candidatos ao Senado?
Se houve locação regular e pagamento pela campanha, documentos resolvem boa parte da conversa. Se ocorreu apenas cessão gratuita da estrutura sindical para promover determinada candidatura, a situação merece uma análise eleitoral bem mais cuidadosa.
Há ainda uma curiosidade política impossível de ignorar. O sindicalismo da educação sul-mato-grossense mantém historicamente diálogo próximo com lideranças do campo progressista e do PT, embora isso não transforme automaticamente SIMTED ou FETEMS em braços partidários. Entidades sindicais também negociam com políticos de outras legendas quando os interesses da categoria estão em jogo.
Mas o encontro de sábado produziu uma fotografia especialmente colorida dessa relação. Candidato petista ao Senado, presidente do sindicato, vereadora e lideranças políticas reunidos dentro da sede do SIMTED. Depois, nas redes sociais, nenhuma preocupação em esconder o objetivo eleitoral: VANDER 133.
Não é preciso procurar uma bandeira vermelha escondida atrás da cortina.
O número estava escrito na publicação.
Por isso, o Bonito Sem Filtro News não afirma que houve ilegalidade. Faz algo bem mais simples: pergunta em quais condições uma sede sindical foi utilizada para uma reunião posteriormente divulgada como apoio explícito a um candidato ao Senado.
Porque preferência política cabe no voto de cada dirigente. Patrimônio sindical é outra história.
E quando candidato, pedido de voto e estrutura de sindicato resolvem sentar à mesma mesa, além do cafezinho, convém servir também transparência.
Imagens de divulgação em Redes Sociais






