Eduardo Riedel (PP) foi reconduzido à Governadoria com 67% dos votos. A bancada, porém, tem mais pessoas próximas ao ex-governador e agora senador eleito, Reinaldo Azambuja (PL).
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Reinaldo ajudou a chegar à Assembleia e à Câmara os deputados que atraiu para o PL, os aliados que deixou em outras legendas e os nomes que ele mesmo apontou. O grupo completará 16 anos no comando do Estado com domínio inédito sobre a direita sul-mato-grossense.
Já os candidatos ligados diretamente ao governador não tiveram o mesmo sucesso. Nenhum dos secretários que deixaram o cargo para disputar a eleição conseguiu se eleger.
O caso mais emblemático é o de Jaime Verruck (Republicanos), ex-titular do Meio Ambiente e Desenvolvimento, pasta que já havia ocupado nas gestões de Azambuja. Com 49.585 votos e R$ 2,3 milhões de campanha, parou na primeira suplência de deputado federal. A candidatura dele era aposta prioritária do governo.
Também ficaram sem cadeira a ex-secretária de Cidadania, Viviane Luiza (PSDB), que teve 45.083 votos para a Câmara; ex-secretário de Cultura e Esporte, Marcelo Miranda (PP); ex-chefe da Casa Civil, Eduardo Rocha (PSDB), candidatos a deputado estadual.
A única exceção é Hélio Peluffo (PP), eleito com 31.435 votos. Ele, contudo, não era escolha pessoal do governador quando chefiou a Infraestrutura e deixou o cargo na metade do mandato.
Nesta lista de eleito e que passou pelo governo também se encaixa o deputado Pedro Caravina (PSDB), que foi Secretário de Governo por um período. Foi eleito com 43.845 votos.
A senadora Tereza Cristina (PP) também não conseguiu transferir votos. Marco Aurélio Santullo, registrado nas urnas como “Santullo da Tereza”, somou 14.245 e ficou na suplência. Os eleitos do PP, partido da senadora, têm mais vínculo com Azambuja do que com ela.
No PL, presidido por Azambuja no Estado, a bancada estadual virou a maior da Casa de Leis, com 9 das 24 cadeiras. Os três deputados que migraram do PSDB na janela de março se elegeram: Zé Teixeira e Paulo Corrêa, os dois mais votados de MS, e Mara Caseiro, que foi para a Câmara com 120.199 votos. Márcio Fernandes, que saiu do MDB no mesmo movimento, também se reelegeu (depende do TSE, que definirá o futuro de Jamilson Name.
O comando vai além da legenda. Os três federais eleitos pelo PSDB em 2022 disputaram desta vez por siglas distintas: Beto Pereira no Republicanos, Dagoberto Nogueira no PP e Geraldo Resende no União. Segundo aliados, a distribuição foi decidida por Azambuja. Beto e Dagoberto renovaram o mandato.
No Republicanos, Beto Pereira assumiu a presidência estadual em abril por determinação do senador eleito; a sigla fez dois federais e dois estaduais. Rose Modesto (União), terceira mais votada para a Câmara, acertou com Reinaldo a disputa pela vaga de federal logo após a eleição municipal de 2024.
A segunda vaga do Senado também passou pelas mãos do ex-governador. Foi Azambuja quem costurou a candidatura de Capitão Contar (PL) e, em trechos da campanha, deixou a própria em segundo plano para garantir a do companheiro de chapa, contam aliados. Prefeitos que resistiam a apoiar Contar eram cobrados por ele, e não pelo governo. Nelsinho Trad abriu mão da reeleição e entrou na chapa como suplente de Azambuja após uma sequência de reuniões com o ex-governador.
O próprio Riedel faz parte dessa engrenagem: foi secretário de Azambuja e escolhido por ele para a sucessão em 2022.
O próximo teste é a presidência da Assembleia, com postulantes do PL.
Em Brasília, Azambuja seria o nome do PL para o Ministério da Agricultura. Ele é próximo de Rogério Marinho, senador que articulou as chapas do partido pelo país e sai fortalecido para presidir o Senado. Se deixar a cadeira, Nelsinho assume como suplente sem precisar sair do Senado.
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