Enquanto muitos cidadãos fazem contas para pagar supermercado, combustível e contas de casa, existe outra despesa que pesa silenciosamente no bolso de todos: a manutenção da máquina pública estadual.
Entre janeiro e junho deste ano, Mato Grosso do Sul arrecadou cerca de R$ 13,8 bilhões. Desse montante, aproximadamente R$ 7,7 bilhões foram destinados exclusivamente ao pagamento de servidores ativos, aposentados e pensionistas.
Custo da folha por habitante no semestre:
R$ 7.700.000.000 ÷ 2.800.000 = R$ 2.750,00 por habitante
Por mês: R$ 2.750,00 ÷ 6 = R$ 458,33 por habitante/mês
Ou seja, cada morador de Mato Grosso do Sul “banca”, em média, cerca de R$ 458 por mês apenas para custear a folha de pagamento do Estado (ativos, aposentados e pensionistas).
Arrecadação por habitante no semestre:
R$ 13.800.000.000 ÷ 2.800.000 = R$ 4.928,57 por habitante
Por mês: R$ 4.928,57 ÷ 6 = R$ 821,43 por habitante/mês
Assim, dos R$ 821,43 arrecadados por habitante a cada mês, cerca de R$ 458,33 são destinados ao pagamento da folha.
Isso corresponde a aproximadamente: 55,8% para despesas com pessoal;
44,2% para todas as demais áreas do governo, como saúde, educação, segurança, infraestrutura, assistência social, meio ambiente, cultura, ciência, manutenção da máquina administrativa, investimentos e custeio.
Em uma família de quatro pessoas se dividir esse custo por uma família média de quatro integrantes: R$ 458,33 × 4 = R$ 1.833,32 por mês
Esse cálculo é estatístico, dividindo a despesa total pela população. Não significa que cada cidadão pague exatamente esse valor em impostos, pois a arrecadação vem de diversas fontes (ICMS, IPVA, ITCD, transferências da União, entre outras) e a contribuição de cada pessoa varia conforme renda, consumo e patrimônio. Ainda assim, é uma forma útil de ilustrar o peso da folha de pagamento em relação ao tamanho da população e da arrecadação estadual.
Do bebê que acabou de nascer ao idoso aposentado, a divisão estatística mostra que a estrutura de pessoal do Governo do Estado consome todos os meses por habitante.
E antes que alguém diga que isso é tudo, vale lembrar: não é. Esse cálculo considera apenas o Governo do Estado.
Ainda ficam de fora os impostos e despesas dos municípios, da União, das autarquias, empresas públicas, fundações e diversos outros órgãos que também são financiados pelos contribuintes.
Essa é apenas uma parte da conta que o cidadão paga para manter toda a estrutura pública funcionando.
É evidente que servidores públicos são essenciais. Professores, policiais, médicos, enfermeiros, bombeiros, fiscais e tantos outros prestam serviços indispensáveis à sociedade. O debate não é contra quem trabalha.
A questão é outra. Quando mais da metade da arrecadação estadual é destinada à folha de pagamento, sobra menos espaço para investimentos em hospitais, escolas, rodovias, saneamento, tecnologia, segurança, habitação e desenvolvimento.
Quando a maior parte da renda fica comprometida com despesas fixas, sobra pouco para investir, melhorar a casa ou enfrentar imprevistos.
O mesmo acontece com o poder público. Quanto maior a máquina, menor a capacidade de investir.
E essa discussão precisa deixar de ser tabu. O cidadão tem o direito de perguntar se a estrutura administrativa está do tamanho que o Estado realmente precisa ou se ela cresceu além do razoável.
Porquenão existe dinheiro público. Existe dinheiro do contribuinte.
Cada imposto pago no supermercado, na conta de luz, no combustível, no IPVA ou no ICMS sai do bolso de alguém.
E esse alguém espera que o retorno venha em forma de serviços públicos de qualidade.
Se a máquina custa caro, ela precisa entregar resultados à altura.
Caso contrário, quem acaba pagando a conta duas vezes é o cidadão: primeiro nos impostos e depois na fila do hospital, na estrada esburacada, na escola que precisa de reforma e na obra que nunca sai do papel.
Bonito Sem Filtro News
O problema nunca foi valorizar o servidor público. O problema começa quando a máquina passa a consumir uma fatia tão grande dos recursos que falta dinheiro para aquilo que realmente muda a vida das pessoas.
A pergunta que fica é simples: o cidadão está recebendo de volta, em serviços, tudo aquilo que paga? Essa resposta cada leitor pode dar olhando para a realidade da sua cidade.

