O Conselho Universitário da PUC-SP aprovou um plano de aposentadoria voluntária para docentes com mais de 80 anos. A universidade diz que a medida é necessária para a renovação do quadro docente e, consequentemente, para inovações no currículo dos cursos.
A proposta foi apresentada como sendo um mecanismo para assegurar o “encerramento digno da carreira docente”. A universidade calcula que, em uma primeira fase, a medida deve abarcar cerca de 80 docentes.
Quem aderir à proposta, chamada de TCDI (Término da Carreira Docente Integral), terá direito a manter o plano de saúde de forma vitalícia e receber 20% da multa rescisória sobre o FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) e ainda um salário adicional.
Em entrevista à Folha em abril, o reitor Vidal Serrano defendeu que a proposta desenhada precisava ser financeiramente vantajosa já que os docentes com mais tempo de casa recebem altos salários.
“Temos professores titulares das antigas que recebem mais de R$ 35 mil, R$ 40 mil [por mês]. Muitos deles postergam essa decisão ao máximo possível, porque ao se aposentar vão receber o teto do INSS [atualmente fixado em R$ 8.475,55]. Eles resistem muito à aposentadoria e eu compreendo, porque a perda de remuneração é de fato muito grande”, disse na ocasião.
Os professores que optarem por não aderir ao plano de aposentadoria passam automaticamente à categoria de professor sênior. Nesse novo regime de contratação, poderão ter uma jornada com limitação das atividades docentes a 20 horas.
Se forem atuar na graduação, só poderão dar aulas em disciplinas eletivas ou optativas e orientar monografias. Na pós-graduação, podem atuar em por atividades regulares de ensino, pesquisa e orientação.
Uma das mais antigas e prestigiadas universidades particulares do país, a PUC-SP completou 80 anos em 2026. Há ao menos 15 anos, a instituição vem enfrentando quedas consecutivas no número de matriculados. De 2010 a 2024, a redução no número de alunos foi de 40%. Há de cursos, como os de serviço social e filosofia, que não conseguiram abrir novas turmas neste ano por falta de interessados.
Nomeado reitor no fim de 2024, Serrano assumiu a universidade com o objetivo de reformular os cursos e torná-los mais atrativos para recuperar parte das matrículas. Para ele, a modernização dos currículos de graduação depende da renovação do quadro de docentes.
Serrano afirmou que a aposentadoria dos docentes mais velhos irá permitir a contratação de novos quadros. Ele não informou quantos professores devem ser contratados nos próximos anos.
Dados do Censo da Educação Superior mostram que de 2010 a 2024, a PUC-SP perdeu quase um terço do corpo docente. A universidade passou de 1.407 professores para 954, neste período.

