InícioEducaçãoPUC-Rio cria fundo patrimonial de acessibilidade e convoca ex-alunos para financiamento

PUC-Rio cria fundo patrimonial de acessibilidade e convoca ex-alunos para financiamento


O gesto de devolver à sociedade uma oportunidade transformadora ganhou um canal prático na experiência de Rodolfo Marinho, sócio-diretor da IP Capital Partners. Há cerca de 30 anos, ele só pôde estudar na PUC-Rio porque conquistou uma bolsa voltada para os melhores classificados no vestibular. Hoje, consolidado no mercado financeiro, Marinho doa ao fundo patrimonial da instituição.

O sucesso dos ex-alunos financia diretamente o futuro e a permanência de novos talentos. A história de Marinho mostra um movimento institucional coordenado pela Alumni PUC-Rio, a associação de antigos alunos da universidade. Celebrando 75 anos, a entidade —com mais de 200 mil ex-alunos— passa por um reposicionamento estratégico focado em engajamento e inclusão social.

Pela legislação, os recursos doados tornam-se intocáveis no valor principal. Apenas os rendimentos reais são utilizados, garantindo a recomposição da inflação para proteger o patrimônio ao longo das próximas gerações.

“O dinheiro que aplicado hoje, colhe os frutos no futuro”, explica Bárbara Christian, presidente do Alumni PUC-Rio.

Para impulsionar a ideia, a universidade lançou a campanha “Doador Pioneiro”, que busca 50 doadores iniciais com cotas de R$ 300 mil diluídas em três anos. Há também a cota “Doador Visionário”, voltada para investidores dispostos a doar quantias superiores a R$ 2 milhões.

O objetivo da instituição é arrecadar R$ 35 milhões até 2028, segundo Bárbara Christian. Até o momento, somando projetos pontuais e o fundo patrimonial definitivo, a associação já captou mais de R$ 28 milhões, demonstrando o potencial da ação.

Segundo a representante, o dinheiro do fundo será investido em iniciativas como bolsas sociais, melhorias de infraestrutura, pesquisa acadêmica, extensão e programas de permanência estudantil.

Em contrapartida, as mensalidades que os alunos não-bolsistas pagam —que podem chegar à casa dos R$ 5.000 no ano letivo de 2026— cobrem as outras despesas operacionais correntes da instituição.

De forma prática, os cursos economicamente viáveis subsidiam a operação geral da universidade sem fins lucrativos, enquanto o fundo funciona como a ferramenta de expansão social e fomento de talentos.

Atualmente, o programa de bolsas da PUC-Rio já atende a quase 40% dos estudantes da graduação. O plano de longo prazo é tornar a universidade 100% acessível em até 15 anos. “Quem tem condições de pagar, pague, mas quem não tem, a gente não perca esse bom aluno por conta disso”, explica Christian.

Os frutos já aparecem no programa “PUC-Rio para Todos”, voltado a estudantes do Prouni e novos bolsistas. Após um ano no curso de direito, o rendimento médio dos participantes ficou na média de 9,5, e cerca de 85% do grupo relatou um forte sentimento de pertencimento à comunidade universitária.

Para Rodolfo Marinho, esse convívio plural enriquece todo o ambiente universitário brasileiro. De acordo com o executivo, uma universidade sofisticada melhora substancialmente quando tem vivências distintas no mesmo campus.

“Somos capazes de formar líderes melhores para o Brasil, para solucionarmos nossos problemas com criatividade”, afirma Marinho.

O executivo ressalta que, embora o brasileiro seja historicamente solidário, a filantropia universitária institucionalizada ainda engatinha devido à antiga prevalência do ensino superior público e à falta de veículos financeiros claros no passado.

Superar a desconfiança cultural em relação ao destino das doações no Brasil é o grande desafio que a Alumni PUC-Rio responde com regras de governança.

Enquadrado na Lei 13.800 de 2019, o fundo patrimonial conta com auditorias externas e um conselho de administração composto por referências como Arminio Fraga, Marcelo Trindade e Rogério Xavier, além do próprio Rodolfo Marinho, Marcos Gadelha e Luiz Roberto Cunha no conselho fiscal.

Para Christian, a transparência é o que traz segurança ao investidor e alimenta novas correntes de apoio, como programas de mentoria com ex-alunos consagrados.

“Quando você tem relatórios claros, transparência e um fundo que é auditado, isso traz segurança para o doador. Quem tem a vontade de ajudar, mas às vezes guarda um receio, passa a entender e a tangibilizar o impacto real do que esse recurso traz”, conclui Christian.



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