A própolis azul chama a atenção de consumidores e pesquisadores por causa das características que a diferenciam das demais variedades. Apesar do interesse crescente, os estudos sobre esse tipo de própolis seguem em andamento.
Produzida pela abelha mandaçaia (Melipona quadrifasciata), espécie nativa brasileira sem ferrão, a própolis azul foi a primeira dessa categoria a receber registro e aprovação do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O produto registrado é originário do litoral de Santa Catarina.
“As pesquisas específicas sobre a própolis azul ainda estão em desenvolvimento. Mesmo assim, as própolis são reconhecidas como fontes de compostos bioativos, associadas às atividades antioxidante, anti-inflamatória e antimicrobiana”, explica Sabrina Sena, nutricionista clínica funcional e ortomolecular integrativa.

Especialista explica diferenças entre própolis azul, verde, vermelha e marrom
A origem da própolis está diretamente ligada ao ambiente onde as abelhas vivem. A nutricionista, que também atua como meliponicultora, explica que o produto resulta de uma interação entre os insetos e a vegetação disponível em cada região.
“As abelhas transformam as resinas vegetais para proteger a colônia. Por isso, a composição da própolis varia conforme a vegetação disponível em cada região, o que explica a existência de diferentes tipos, como a verde, a vermelha, a marrom e, mais recentemente, a própolis azul.”
Segundo a especialista, esses compostos podem contribuir para a resposta do organismo diante de vírus, bactérias e fungos. No entanto, ela ressalta que a própolis deve ser considerada um alimento funcional, e não um medicamento.
“A quantidade ideal varia de acordo com as necessidades de cada pessoa e deve ser definida por um profissional habilitado. É importante escolher produtos com procedência conhecida e registro, porque os derivados das abelhas estão entre os alimentos com maior risco de adulteração”, orienta Sena.

Própolis azul amplia variedade de produtos derivados das abelhas
De acordo com a especialista, além da versão azul, o mercado oferece outros tipos de própolis com características distintas. A própolis verde é produzida pela abelha Apis mellifera, também conhecida como abelha-europeia ou abelha-africanizada no Brasil, a partir do alecrim-do-campo, planta típica do Sudeste, especialmente de Minas Gerais, e tem como principal marcador químico a Artepillin-C.
A própolis vermelha também é produzida pela Apis mellifera, mas utiliza como fonte vegetal a Dalbergia ecastophyllum, conhecida popularmente como rabo-de-bugio ou marmelo-do-mangue. A planta é encontrada em manguezais, o que resulta em elevada concentração de compostos vegetais naturais que possuem uma estrutura química semelhante ao estrogênio humano.
A própolis marrom, por sua vez, é obtida de diferentes espécies vegetais e não apresenta um composto químico predominante. A própolis azul se diferencia justamente pela produção realizada pela mandaçaia e pela coloração incomum, que continua sob investigação científica.
Pesquisa aponta potencial farmacêutico da própolis azul
Uma pesquisa desenvolvida pelo Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) em parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR) mostrou que a própolis azul possui alto potencial para uso na indústria farmacêutica.
A pesquisa, conduzida pelo mestrando Vitor Luis Fagundes, também revelou um diferencial importante. A própolis azul apresentou atividade antibacteriana superior à observada nas própolis verde e vermelha, variedades já utilizadas na produção de medicamentos.
“A própolis azul tem características medicinais que podem contribuir com ações antimicrobianas, anti-inflamatórias, antiparasitárias, antivirais e antitumorais. É ainda um importante fortalecedor do sistema imunológico e apresenta atividade antibiótica, com efeitos superiores aos observados em outras própolis”, explica o coordenador da pesquisa, Renato Rau.
A equipe agora busca identificar e caracterizar as moléculas responsáveis por essas propriedades. Com essa etapa concluída, os pesquisadores poderão estabelecer a assinatura química da própolis azul e iniciar testes farmacológicos. O objetivo é gerar conhecimento que permita o desenvolvimento de novos medicamentos aptos a obter registro nos órgãos reguladores.


