Quem passa pela Câmara Municipal em busca de atendimento para os problemas do dia a dia da cidade já conhece a cena: corredores silenciosos, portas fechadas e uma dificuldade crônica de encontrar quem deveria estar lá trabalhando. Se até os assessores sumiram das sessões do plenário, a pergunta que fica no ar é simples: para quem, afinal, estão querendo ampliar estruturas e construir novos gabinetes? Como se não bastasse um telão que mostra a votação e um contrato de mais de 15 mil por mês, para o povo assistir. Povo que Povo? Oque vejo nas Lives da Casa do povo é meia dúzia de gatos minguados e outro 2 ou 3 comigo assistindo a Live. Despesas que convenhamos não tem necessidade. Será que essas reuniões não estão no dia e no horário errado?
A conta não fecha. Construir ou expandir gabinetes significa empilhar mais gastos permanentes sobre as costas do contribuinte: é mais custo com limpeza, mais conta de água, mais energia elétrica, mais manutenção de ar-condicionado e, claro, mais contratações para inchar a folha de pagamento. Tudo isso bancado pelo dinheiro público da nossa população.
O contrassenso beira o absurdo. Enquanto a estrutura física exige cada vez mais verba para se manter de pé, a prática diária mostra representantes que mal param no município, movidos por uma rotina incessante de viagens, agendas externas e acúmulo de diárias.
Se a realidade é essa e a turma vive na estrada, por que insistir em pescar no bolso do cidadão para erguer paredes que passam a maior parte do tempo vazias?
É aí que a proposta de pé no chão ganha ainda mais força: em vez de gastar fortunas com obras e manutenção de salas desertas além do vaivém de múltiplos carros gastando combustível, por que não cortar as despesas de gabinete e adotar um único ônibus ou veículo coletivo para as viagens institucionais da Casa? Um único motorista, manutenção centralizada, menos emissão de poluentes e o fim do desperdício individualizado.
De boa na lagoa, a Sucuri deixa o alerta bem claro: Bonito não precisa de mais paredes caras e gabinetes fantasmas. O município precisa de respeito ao orçamento, presença de quem foi eleito para trabalhar e responsabilidade com cada centavo arrecadado. Não de paredes de ostentação com contêiner e diária,e mais serviço prestado de fato na cidade.

