Minas Gerais, historicamente considerado um espelho do Brasil nas eleições presidenciais, pode, pela primeira vez, não ser determinante para a definição do vencedor do pleito. A hipótese foi levantada por Fábio Vasconcellos, cientista político e professor da Uerj e da PUC-Rio, ao WW.
Segundo Vasconcellos, ao longo de 20 anos, o estado sempre confirmou a máxima de que quem vence em Minas vence no Brasil. No entanto, dados recentes indicam que esse padrão histórico pode estar se rompendo.
Diferença percentual em queda
O cientista político explicou que a margem entre o vencedor e o perdedor em Minas Gerais vem diminuindo a cada eleição. “A diferença entre o vencedor e o perdedor em Minas Gerais vem declinando eleição a eleição”, afirmou Vasconcellos.
Em 2022, essa diferença em pontos percentuais ficou abaixo da média nacional, o que chamou a atenção dos pesquisadores.
“É como se a tendência à direita em Minas estivesse muito mais acentuada do que a gente está observando no Brasil”, destacou o especialista.
Ao abrir o mapa do estado, várias regiões penderam mais fortemente para a direita em 2022, mesmo em localidades onde o PT historicamente apresentava médias razoáveis de votação — médias que, segundo Vasconcellos, vêm sendo reduzidas ao longo do período.
A hipótese inédita
Com base nessa tendência, Vasconcellos levantou a possibilidade de que, pela primeira vez, o resultado em Minas Gerais não coincida com o resultado nacional. “Pode acontecer, pela primeira vez, que quem vencer em Minas pode ser que não vença no Brasil, ou vice-versa”, disse.
O especialista ressaltou, no entanto, que a hipótese só poderá ser confirmada após as eleições.
As “cidades-pêndulo” e a disputa eleitoral
Vasconcellos também abordou o conceito de “cidades-pêndulo”, termo usado para descrever municípios sem alinhamento ideológico claro. Nessas localidades, a competição eleitoral é muito mais acirrada do que em regiões com preferências políticas consolidadas.
“Uma franja do eleitorado é que faz essa diferença, em 51, 52, 53 pontos percentuais para o vencedor”, explicou.
Para conquistar esse eleitorado, o especialista defendeu que a presença e a escuta ativa são fundamentais. Segundo ele, o eleitor das cidades-pêndulo não se identifica necessariamente com a direita ou a esquerda e é muito sensível aos problemas do cotidiano.
“Questões como violência, acesso à educação e, fundamentalmente, o custo de vida são o que esse cidadão vive no seu dia a dia”, concluiu Vasconcellos.


