Praça da Rádio foi cedida gratuitamente ao Tendél Agroplay; Eco Fight não conseguiu o ginásio e levou sua edição para Jardim
Publicado no Diário Oficial dos Municípios de 7 de outubro de 2026, o Termo de Permissão de Uso nº 001/2026 autorizou a empresa Tendel Entretenimento a utilizar gratuitamente a Praça da Rádio nos dias 10 e 11 de outubro, para a realização do Tendél Agroplay.
O evento de sábado terá show de Lucas & Higor, conforme o cartaz divulgado pela organização. O site de vendas anuncia ingresso promocional de R$ 60, mais taxas. Já a Prefeitura informou que haverá entrada gratuita no espaço Arena. O termo publicado no Diário Oficial, porém, trata da cessão gratuita da praça à empresa: não informa que os ingressos serão gratuitos para bonitenses.



A publicação da Prefeitura também não esclarece como o acesso gratuito à Arena se relaciona com o ingresso pago. O bilhete de R$ 60 dá acesso a outra área? Há setores diferentes? A entrada livre vale para todo o público ou há condições? Perguntas simples, mas que merecem respostas claras — antes que o cidadão precise descobrir na porta qual versão da divulgação vale.
Para domingo, dia 11, a Prefeitura anunciou o Happyzinho, às 16h, com Samb404 e convidados, também com entrada gratuita. A página do evento mantém opção de compra de ingressos, mas não deixa o preço visível na consulta. Mais uma informação que precisa ser explicada sem rodeios.
A comparação com o Eco Fight Bonito é inevitável. A organização não conseguiu o Ginásio Poliesportivo e levou sua sexta edição para Jardim. Em 2019, a Prefeitura apoiou uma edição do Eco Fight no ginásio e forneceu palco, som e iluminação.



A pergunta é direta: quais critérios definem quem pode usar os espaços públicos de Bonito? Para o Tendél, a Praça da Rádio foi cedida gratuitamente. Para o Eco Fight, o ginásio não foi liberado. O que mudou: a disponibilidade dos espaços, as exigências ou os critérios aplicados aos organizadores?
O histórico do Bonito Blues & Jazz Festival também merece ser lembrado. Em 2023, ao explicar o indeferimento do pedido para a realização do festival, a Prefeitura apontou a falta de Estudo de Impacto de Vizinhança e citou reclamações de barulho da edição anterior, realizada em um hotel na região central. Naquele caso, a administração apresentou as exigências. Agora, precisa explicar quais critérios e condições foram aplicados para liberar a Praça da Rádio.

A cobrança não é contra a realização de eventos. É por transparência e tratamento igual. A Prefeitura deve informar quais contrapartidas foram exigidas da empresa, quem responderá pela limpeza e por eventuais danos ao espaço público, quais licenças foram apresentadas e como funcionará, na prática, a entrada anunciada como gratuita.
Para os amigos, as benesses da lei; para os “outros”, os rigores da lei? A provocação está no título. À Prefeitura cabe responder com documentos, critérios e explicações. Até lá, em Bonito, a praça é pública — mas a transparência ainda parece ter horário marcado.


