InícioAgronegócioOferta pressiona milho, enquanto soja tem suporte da demanda chinesa

Oferta pressiona milho, enquanto soja tem suporte da demanda chinesa


Os preços de milho e soja seguem trajetórias diferentes no mercado brasileiro no início de outubro, embora ambos tenham sido pressionados pela queda das cotações internacionais. Enquanto o milho enfrenta maior oferta doméstica e menor demanda, a soja encontra sustentação nos prêmios de exportação e na demanda chinesa, que ainda limita a queda dos preços no Brasil.

No mercado nacional de milho, o recuo das cotações ganhou força nos últimos dias diante do baixo interesse dos compradores brasileiros. Segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), parte das empresas afirma ter estoques suficientes para o consumo imediato e, por isso, permanece afastada de novas aquisições.

A menor demanda se soma ao aumento esperado da disponibilidade do cereal. As exportações brasileiras estão abaixo das registradas no mesmo período do ano passado, enquanto a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) estima produção recorde de 144 milhões de toneladas na safra 2025/26, mesmo com uma redução na produtividade.

Com compradores menos atuantes, produtores passaram a demonstrar maior flexibilidade nas negociações, tanto em relação aos preços quanto às condições de entrega e aos prazos de pagamento, segundo o Cepea.

Para Luiz Pacheco, analista da TF Consultoria Agroeconômica, no mercado brasileiro a redução das exportações, em meio à maior presença dos Estados Unidos no mercado internacional, aumenta a disponibilidade interna e pressiona os preços.

Para Pacheco, o cenário internacional para o milho é baixista. Ele aponta que a divulgação de estoques norte-americanos acima das expectativas reforçou a percepção de ampla oferta nos Estados Unidos, em um momento de avanço da colheita.

“A combinação de estoques elevados, produção americana acima de 400 milhões de toneladas, avanço da colheita, exportações menores, dólar valorizado e expectativa de safra recorde na Argentina mantém a pressão sobre Chicago”, afirma.

No exterior, o milho ensaia uma recuperação depois das fortes perdas da semana passada, quando os preços em Chicago recuaram mais de 5,5% após a divulgação dos estoques norte-americanos. Segundo a consultoria argentina Granar, as altas recentes refletem compras de oportunidade de investidores e uma desaceleração das vendas dos produtores, mas continuam limitadas pelo avanço esperado da colheita nos Estados Unidos.

Soja

Na soja, a pressão externa também aumentou nos últimos dias, após a alta registrada em setembro. O avanço da colheita da safra 2026/27 no Hemisfério Norte tem ampliado a oferta e pressionado as cotações em Chicago.

No Brasil, porém, o movimento tem sido menos intenso. O Cepea aponta que a queda das cotações internacionais reduziu a liquidez no mercado spot, especialmente após as tarifas sobre a soja ficarem fora das negociações entre Estados Unidos e China.

Pacheco afirma que os preços domésticos permaneceram praticamente estáveis nas últimas semanas, ainda em níveis elevados. Esse cenário, segundo ele, permite aos produtores adotar uma estratégia de vendas escalonadas e de proteção de preços.

Ao mesmo tempo, a queda externa sustentou os prêmios de exportação no Brasil, limitando a transmissão da baixa de Chicago para os preços domésticos.

A demanda chinesa também permanece como um dos principais fatores de sustentação para a oleaginosa. Para Pacheco, a tendência da soja é baixista no curto prazo, mas ainda está inserida em uma estrutura de alta no médio prazo.

“O principal elemento de sustentação continua sendo a demanda efetiva da China”, afirma. Segundo o analista, embora não tenham sido anunciadas novas compras flash de soja pela China na última semana, os dados semanais do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) mostram que os chineses continuam adquirindo volumes expressivos.

O mercado, portanto, está dividido entre a expectativa de uma oferta maior nos Estados Unidos, com o avanço da colheita e clima favorável, e a possibilidade de retomada das compras chinesas em ritmo mais forte.

Em Chicago, a soja chegou a apresentar recuperação no início da semana, influenciada por coberturas de posições dos investidores e pela alta do óleo de soja. A Granar, porém, avalia que o avanço da colheita norte-americana continua sendo um fator de pressão sobre as cotações. A consultoria também aponta que o mercado acompanha a possibilidade de novas vendas de soja dos Estados Unidos para a China.



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