Desde 2020, a gripe aviária voltou a se espalhar pelo mundo com a circulação da cepa H5N1, de altamente patogênica, atingindo aves silvestres, granjas comerciais e até mamíferos em diferentes continentes.
A doença já foi registrada em países da Europa, das Américas, da Ásia e, mais recentemente, da Oceania, incluindo casos recentes na Austrália, na Nova Zelândia, e segue despertando dúvidas sobre os riscos para humanos, a forma de transmissão e os impactos para a produção de alimentos.
O que é a gripe aviária?
A gripe aviária é uma doença infecciosa causada por vírus Influenza A que afeta principalmente aves silvestres e domésticas. Entre as variantes de maior preocupação está a H5N1, considerada altamente patogênica por provocar elevada mortalidade em plantéis comerciais.
O vírus ganhou projeção global a partir de 2020, quando a atual linhagem H5N1 se espalhou rapidamente entre aves migratórias no Hemisfério Norte. Desde então, avançou para a América do Sul, Antártida e, mais recentemente, Oceania, ampliando sua distribuição geográfica e o número de espécies afetadas.
Além das aves, a doença já foi identificada em dezenas de espécies de mamíferos, incluindo leões-marinhos, raposas, felinos domésticos e rebanhos leiteiros nos Estados Unidos.
Gripe aviária é perigosa para humanos?
O risco para a população em geral continua sendo considerado baixo. Casos em humanos são raros e, na maioria das vezes, ocorrem em pessoas que tiveram contato intenso e prolongado com aves infectadas ou com ambientes contaminados.
Até o momento, a transmissão sustentada entre pessoas não foi observada, embora organizações internacionais mantenham vigilância constante devido à capacidade de mutação dos vírus influenza.
Também não há evidências de transmissão da doença pelo consumo de carne de frango ou ovos devidamente cozidos.
Como ocorre a transmissão?
As aves migratórias são os principais reservatórios naturais do vírus. Patos, marrecos, gansos e outras aves aquáticas podem transportar o agente infeccioso por longas distâncias e introduzi-lo em novas regiões.
Nas granjas, a transmissão ocorre principalmente pelo contato entre aves infectadas e sadias ou por meio de fezes, secreções respiratórias, água, ração, equipamentos, veículos e materiais contaminados.
Em humanos, os poucos casos registrados estão relacionados quase sempre ao contato direto com animais doentes.
Quais são os sintomas nas aves?
A manifestação mais característica da gripe aviária altamente patogênica é a morte súbita de várias aves.
Outros sinais incluem:
- dificuldade respiratória;
- tosse e espirros;
- falta de coordenação motora;
- diarreia;
- queda na produção de ovos;
- inchaço e coloração arroxeada da crista e da barbela;
- hemorragias nas pernas.
Por que a gripe aviária preocupa o agronegócio?
Mesmo quando restritos a uma única propriedade, surtos de gripe aviária podem gerar impactos econômicos.
Os protocolos internacionais determinam medidas rigorosas para conter a disseminação do vírus, como isolamento da área afetada, abate sanitário das aves, desinfecção das instalações e reforço da vigilância epidemiológica.
Além das perdas diretas para os produtores, a confirmação da doença em granjas comerciais pode levar parceiros comerciais a suspender temporariamente as importações de carne de frango, ovos e outros produtos avícolas. Essas restrições variam conforme os acordos sanitários de cada país e podem afetar um dos principais mercados do agronegócio mundial.
A circulação global do H5N1 também elevou os custos com biossegurança nas granjas e intensificou o monitoramento em países produtores, justamente para evitar a entrada do vírus nos plantéis comerciais.
O Brasil já teve casos?
Sim, mas a trajetória da doença no país ocorreu em etapas. Os primeiros registros brasileiros foram confirmados em 2023, exclusivamente em aves silvestres e em algumas criações de subsistência, sem impacto sobre o status sanitário da avicultura comercial.
A situação mudou em maio de 2025, quando o Ministério da Agricultura confirmou o primeiro foco de influenza aviária de alta patogenicidade (H5N1) em uma granja comercial no município de Montenegro (RS).
O caso levou à adoção dos protocolos sanitários previstos pela OMSA (Organização Mundial de Saúde Animal), incluindo o abate sanitário das aves, a desinfecção da propriedade e o monitoramento da região. Alguns países também suspenderam temporariamente as compras de carne de frango brasileira.
Após o cumprimento do período de vigilância sem novos registros, o foco foi considerado encerrado. O Brasil recuperou seu status sanitário e as restrições comerciais impostas por parceiros internacionais foram gradualmente retiradas, permitindo a retomada das exportações.

