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NOTA ESCLARECE A ORIGEM, MAS NÃO O DESTINO DOS RECURSOS DO FUNDO MUNICIPAL DE MEIO AMBIENTE

A Prefeitura de Bonito divulgou uma nota para esclarecer que os R$ 301.055,44 utilizados em suplementações orçamentárias não correspondem diretamente à arrecadação da Taxa de Conservação Ambiental, como havia sido questionado durante sessão da Câmara Municipal.

Até aí, tudo certo.

A nota informa que os recursos vieram do Fundo Municipal de Meio Ambiente e que foram utilizados “exclusivamente para suplementação de saldo orçamentário”, conforme autorizado pela legislação.

Mas aí surge uma dúvida daquelas que qualquer cidadão comum faria:

Suplementação de qual saldo orçamentário?

Para qual secretaria?

Para qual programa?

Para qual ação?

Para qual finalidade?

Porque dizer que o dinheiro foi usado para suplementação orçamentária é mais ou menos como informar que alguém sacou dinheiro da conta para fazer um pagamento. A informação está correta, mas continua faltando a parte principal da história: quem recebeu e para quê?

A nota esclarece a origem dos recursos. O destino, porém, continua viajando sem localização conhecida.

E como estamos falando de dinheiro oriundo do Fundo Municipal de Meio Ambiente, o assunto desperta ainda mais interesse. Afinal, Bonito construiu sua fama internacional justamente sobre a preservação ambiental. É natural que moradores, empresários e trabalhadores do turismo queiram entender como esses recursos estão sendo utilizados.

Outra pergunta que permanece sobre a mesa envolve a própria Taxa de Conservação Ambiental.

Quanto está sendo arrecadado atualmente?

Onde esses recursos estão sendo aplicados?

Quais melhorias ambientais foram executadas com esse dinheiro?

Quais projetos de conservação receberam investimentos?

Quais benefícios concretos chegaram ao cidadão e ao turista?

São perguntas simples. E respostas transparentes costumam fortalecer a confiança da população.

Desde a sua criação , a taxa ambiental tem sido alvo de debates entre empresários, trabalhadores do turismo e visitantes. Não pela ideia de preservar o meio ambiente — algo que praticamente todos defendem — mas pela necessidade de demonstrar de forma clara como cada centavo arrecadado retorna para a conservação, para a infraestrutura ambiental e para a própria experiência turística.

Em uma cidade onde o turismo movimenta a economia, gera empregos e sustenta centenas de famílias, qualquer cobrança adicional ao visitante naturalmente desperta questionamentos. E quanto maior a transparência, menor a desconfiança.

A nota da Prefeitura rebate a ligação direta entre os R$ 301 mil e a arrecadação da taxa ambiental. Esclarecimento importante.

Mas a curiosidade pública continua viva e saudável.

Porque, no fim das contas, a população já sabe de onde o dinheiro saiu.

Agora quer saber para onde ele foi.

E, principalmente, onde está sendo investido o dinheiro da taxa ambiental que continua sendo cobrada de quem escolhe visitar a Capital do Ecoturismo.

Perguntar não agride o meio ambiente.

Pelo contrário. Transparência também é uma forma de preservação.

Mais uma da série: “explicou sem explicar”.

A nota tem nome de esclarecimento, aparência de esclarecimento e até tom de esclarecimento.

Só faltou esclarecer o principal: onde o dinheiro foi parar.

A dúvida continua exatamente onde estava antes da nota.

Beto Busin | Bonito Sem Filtro News.

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