Entre a Copa do Mundo e a retomada da temporada com o Santos, Neymar somou, nas últimas semanas, mais tempo nas mesas de pôquer do que correndo atrás da bola em partidas oficiais. Desde os 37 minutos acumulados com a seleção brasileira no Mundial, o camisa 10 ainda não voltou a defender o clube.
O Brasil se despediu do Mundial no dia 5 de julho, quando perdeu para a Noruega por 2 a 1, no MetLife Stadium, em Nova Jersey, nos Estados Unidos. Depois de ficar no banco durante todo o confronto com o Japão, na abertura do mata-mata, o camisa 10 entrou no segundo tempo do duelo pelas oitavas.
Ele ainda foi responsável pelo único gol brasileiro na partida, convertendo um pênalti, mas saiu de campo marcado por sua participação mais melancólica em Copas, questionado desde sua convocação.
De volta ao Santos e reintegrado ao elenco no último dia 18, ele deve atuar pela primeira vez neste sábado (25), contra a Chapecoense, às 18h30, na Vila Belmiro, pelo Campeonato Brasileiro.
O atleta ainda recebe da comissão técnica um tratamento especial. Na última terça-feira (21), ele foi poupado da viagem à Venezuela, onde a equipe goleou a Universidad Central por 4 a 1 pela Sul-Americana.
O técnico Cuca tentou minimizar o desfalque. Segundo ele, a programação considerou o fato de o jogador não ter tido férias, a sequência de jogos que o time terá neste mês, além do desgaste que o deslocamento poderia ocasionar.
“Que vantagem tinha em trazer ele para cá? Vocês [jornalistas] vieram e viram o quanto é dura a viagem, o quanto é difícil chegar em condições ideais”, argumentou o treinador.
Naquela mesma noite, Neymar trocou o descanso por mais uma noite de pôquer. Enquanto seus companheiros estavam em campo, ele participou de um torneio de carteado em um hotel em São Paulo.
No dia seguinte, na legenda das fotos em que registrou sua participação, o craque escreveu: “A vida é uma piada”.
A felicidade que ele tentou transmitir nas fotos contrasta com as incertezas sobre o futuro de sua carreira como jogador de futebol.
No dia seguinte à eliminação do Brasil na Copa, o pai do jogador divulgou nas redes sociais um texto no qual pedia ao filho para não abandonar o esporte. “Volte a sentir alegria com a bola nos pés. Volte a sorrir dentro de campo. Hoje você está saudável. Deus lhe deu novamente a oportunidade de fazer aquilo que sempre amou”, escreveu.
Na quarta-feira (22), dia seguinte à vitória sobre a Universidad Central, a comissão técnica do Santos deu folga aos atletas e, apesar de não ter viajado, Neymar também foi dispensado. Ele, então, aproveitou para participar de dois eventos de pôquer.
No primeiro, sua participação durou cerca de duas horas, até perder duas mãos consecutivas contra rivais que tinham pares de oito.
Na segunda disputa, Neymar chegou a levar a melhor em uma mão sobre Deickson Abril, conhecido entre os jogadores de pôquer como “Gordão”, mas o jogador de Ribeirão Preto devolveu a derrota e conseguiu eliminar o atacante.
Horas depois, Deickson conquistou o título, levando um prêmio de R$ 245 mil. Neymar não apareceu entre os nove jogadores premiados. Também não há informações públicas sobre o horário exato em que ele foi eliminado desse segundo torneio. Ao todo, a disputa durou cerca de 12 horas.
Na redes sociais, o jogador ironizou as cítricas recebidas pelas duas participações. “Na minha folga, muita gente ficou falando de eu ter jogado poker. Trabalhei de manhã, não fui para o jogo, voltei para os treinos. Estava de folga. Ficam falando, enfim. Estou me preparando para o treino. Posso treinar ou vocês vão ficar cornetando também? Vai cuidar da sua vida”, escreveu.
Antes de decidir levar o jogador para o Mundial, Carlo Ancelotti foi diversas vezes questionado sobre a possibilidade de contar com ele. Quase sempre, a resposta era a mesma: ele só faria parte do grupo se tivesse condição de atuar em alto nível.
Não foi isso que se viu nos Estados Unidos, onde ele passou a maior parte do tempo se recuperando de uma lesão de grau 2 no tornozelo direito, que motivou um atrito entre a CBF e o Santos, que não teria informado à entidade a real gravidade do problema.
Enquanto tenta deixar as polêmicas no passado, Neymar vive a expectativa de atuar contra a Chapecoense, quando tentará iniciar uma nova etapa após uma Copa marcada por pouco tempo em campo e muitas dúvidas sobre seu futuro.

