InícioMundoNepal e Tibete: resgate busca 1.300 após enchentes - 27/08/2026 - Mundo

Nepal e Tibete: resgate busca 1.300 após enchentes – 27/08/2026 – Mundo


Equipes de resgate procuram nesta quinta-feira (27) mais de 1.300 desaparecidos após enchentes catastróficas na região do Himalaia entre o Nepal e o Tibete. O número de mortos chega a 273, em uma tragédia que deixou povoados inteiros devastados.

Um vídeo aterrorizante de uma câmera de vigilância, gravado do lado chinês, mostra como, na manhã de quarta-feira (26), uma violenta parede de lama e destroços engoliu um edifício de vários andares enquanto dezenas de pessoas correram para tentar salvar a vida.

A enxurrada arrastou ônibus e carros com facilidade.

Segundo balanços oficiais ainda preliminares, o fenômeno causou a morte de 177 pessoas no lado nepalês e três no lado chinês, no Tibete.

A imponente torrente de água e lama, semelhante a um tsunami, foi provocada pelo colapso de uma geleira e teve uma violência registrada como um “evento sísmico” de magnitude 5,2, segundo explicou o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS).

No Nepal, a enxurrada varreu o vale do rio Trishuli, no distrito de Nuwakot, ao norte de Katmandu, e o vale do Bhote Koshi, a leste da capital.

Vinte e quatro horas após o desastre, as autoridades nepalesas continuam sem notícias de 823 pessoas, entre elas 517 turistas estrangeiros.

Entre eles estão 178 cidadãos da Índia, 65 dos Estados Unidos, 53 da Ucrânia, 51 da Malásia, 35 da Austrália, 33 do Reino Unido e 25 do Canadá, informou o Escritório de Turismo. A Espanha afirmou que quatro de seus cidadãos ainda não foram localizados.

Do outro lado da fronteira, a imprensa estatal chinesa informou que o balanço do “deslizamento de lama” que atingiu o porto tibetano de Gyirong é de três mortos. Também contabilizou 558 desaparecidos, entre eles 260 estrangeiros, embora não tenha informado suas nacionalidades.

Raju Bhadel, um morador nepalês de 56 anos, contou ter recebido uma ligação de seu cunhado, que estava muito angustiado.

“Eles estavam chorando e disseram que a casa inteira havia sido arrastada. Três integrantes da família foram resgatados, mas o irmão dele continua desaparecido”, disse.

Nesta quinta, as equipes de resgate avançavam com dificuldade pela lama e pelos destroços nas áreas afetadas em busca de sobreviventes, depois que a avalanche soterrou os andares inferiores de edifícios de vários pavimentos.

Entre os que procuravam familiares estava Subash Khatani, que disse à AFP tentar encontrar seu irmão.

“Ele está entre os desaparecidos de Rasuwa, por isso saímos para procurá-lo”.

O diretor no Nepal da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, David Fisher, alertou para a dimensão da catástrofe, após a qual “povoados inteiros e áreas comerciais foram devastados”.

Os Estados Unidos prometeram US$ 500 mil em ajuda.

Enquanto isso, especialistas alertam que um bloqueio persistente em um rio pode provocar uma nova inundação.

“Como ainda há um bloqueio na parte superior do rio fronteiriço entre o Nepal e a China, as autoridades alertam que pode ocorrer uma segunda inundação”, disse Qianggong Zhang, chefe de riscos climáticos e ambientais do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas, com sede em Katmandu.

Vídeos divulgados pela polícia nepalesa registraram como as águas da inundação subiram por um dos rios e arrastaram casas inteiras pelo caminho.

O Exército nepalês faz sobrevoos na região e resgatou dezenas de pessoas, enquanto moradores que viviam perto do rio, em áreas de risco, receberam ordens para deixar o local.

O presidente chinês, Xi Jinping, afirmou que “a tarefa mais urgente é fazer todo o possível para procurar e resgatar as pessoas desaparecidas”, segundo a emissora.

O Dalai Lama disse nesta quinta que reza por todas as vítimas e pediu “medidas adequadas de assistência”. O líder espiritual do budismo é considerado por Pequim um rebelde e separatista, após fugir do Tibete e se exilar em 1.959, depois que tropas chinesas reprimiram uma revolta na região.

As chuvas de monção, de junho a setembro, costumam provocar inundações e deslizamentos de terra fatais em todo o sul da Ásia.

Cientistas afirmam que as mudanças climáticas estão aumentando a frequência e a intensidade desse tipo de fenômeno meteorológico extremo na região.



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