InícioestadoMS registra 14 conflitos no campo no 1º semestre de 2026

MS registra 14 conflitos no campo no 1º semestre de 2026


Levantamento da CPT aponta ainda ocorrência relacionada à água no Estado no primeiro semestre

Com uma morte, Mato Grosso do Sul teve 14 conflitos no campo neste ano
Rio Tapajós, na Amazônia, é alvo de conflitos históricos em meio a projeto de dragagem do governo federal (Foto: MPF/PA)

Mato Grosso do Sul registrou 14 conflitos no campo no primeiro semestre de 2026, segundo levantamento divulgado nesta quarta-feira (2) pela CPT (Comissão Pastoral da Terra). Entre as seis pessoas assassinadas em disputas agrárias no País no período, uma era indígena do Estado.

Mato Grosso do Sul registrou 14 conflitos no campo no primeiro semestre de 2026, segundo levantamento da CPT divulgado nesta quarta-feira (2). No Brasil, foram 841 ocorrências entre janeiro e junho, alta de 5,4% em relação a 2025. Seis pessoas foram assassinadas, entre elas um indígena do Estado. Os conflitos envolvem disputas por terra, água e trabalho escravo rural, com 355 trabalhadores resgatados no país.

Os 14 registros em Mato Grosso do Sul envolvem situações relacionadas à terra, água e trabalho escravo rural. O Estado teve o mesmo número de ocorrências do Piauí. O Maranhão lidera o levantamento nacional, com 156, seguido por Pará, com 90, Bahia, com 85, e Amazonas e Rondônia, ambos com 63.

No Brasil, foram contabilizados 841 conflitos entre janeiro e junho, aumento de 5,4% em relação aos 798 registrados no mesmo período de 2025. Do total deste ano, 711 estão relacionados à terra, 100 à água e 30 ao trabalho escravo rural.

Apesar da alta na comparação anual, o número permanece abaixo dos registrados entre 2022 e 2024. Em 2024, por exemplo, o primeiro semestre terminou com 1.175 conflitos.

Segundo a CPT, o conceito de conflito utilizado no levantamento não significa necessariamente um episódio de violência. A classificação abrange situações de disputa relacionadas à terra, água, direitos e meios de trabalho ou produção, incluindo tanto casos de violência quanto ações de resistência.

Terra – As disputas relacionadas à terra concentram a maior parte dos registros no País. Foram 663 ocorrências de violência envolvendo ocupação e posse no primeiro semestre, contra 584 no mesmo período de 2025. Já as ações de resistência, como ocupações e acampamentos, diminuíram de 66 para 48.

A contaminação por agrotóxicos foi a forma de violência que apresentou o maior crescimento. Também aumentaram os registros de invasões de territórios, desmatamento ilegal e ameaças de despejo.

Água – Mato Grosso do Sul registrou ainda uma ocorrência relacionada à água. Em todo o País, esse tipo de conflito mais que dobrou, passando de 47 no primeiro semestre de 2025 para 100 neste ano. O Pará lidera, com 16 casos, seguido por Minas Gerais, com 11, e Amazonas e Mato Grosso, com dez cada.

Trabalho escravo – O levantamento contabilizou 30 ocorrências de trabalho escravo rural no Brasil, com 355 trabalhadores resgatados. A CPT alerta, porém, que a redução em relação ao ano passado pode estar relacionada ao atraso no fornecimento de dados pela Secretaria de Inspeção do Trabalho, principal fonte utilizada pela entidade nesse levantamento. São Paulo teve o maior número de trabalhadores resgatados, com 148 pessoas em cinco casos. Em três deles, os resgates ocorreram em atividades de plantio e corte de cana-de-açúcar.

Com uma morte, Mato Grosso do Sul teve 14 conflitos no campo neste ano
Equipe do (Ministério dos Povos Indígenas) durante reunião com moradores da Aldeia Taquaperi, em Coronel Sapucaia (Foto: divulgação)

Violência – Seis pessoas foram assassinadas em conflitos no campo no primeiro semestre deste ano. A CPT informa que uma das vítimas era indígena de Mato Grosso do Sul, mas não divulga o nome. No período, o vice-cacique guarani kaiowá Givaldo Santos Kaiowá foi morto a tiros na região da Reserva Indígena Taquaperi, em Coronel Sapucaia, a 396 quilômetros de Campo Grande. À época, a motivação do crime não havia sido esclarecida e não houve confirmação de relação com conflito por terra.

Também morreram um indígena em Roraima, um trabalhador rural sem-terra e três posseiros em um massacre ocorrido em Lábrea (AM). As vítimas tinham entre 14 e 45 anos.

Os assassinatos diminuíram em relação aos 27 registrados no mesmo período de 2025, mas outras formas de violência aumentaram. Foram 588 casos envolvendo 497 vítimas neste ano. A contaminação por minérios lidera, com 195 registros, seguida pela contaminação por agrotóxicos, com 132, criminalização, com 51, e ferimentos, com 42.

As manifestações também cresceram, passando de 253 no primeiro semestre de 2025 para 284 neste ano. A CPT inclui nesse grupo atos públicos, marchas, protestos, bloqueios de rodovias e ocupações de prédios públicos, entre outras mobilizações.

Os dados são parciais e serão utilizados na elaboração do relatório anual “Conflitos no Campo Brasil”, previsto para ser divulgado em 2027.



Veja a matéria completa aqui!

RELATED ARTICLES

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

- Publicidade -

mais vistas