InícioCidadesMPF denuncia ex-gerente do BB por fraude de R$ 2,3 milhões

MPF denuncia ex-gerente do BB por fraude de R$ 2,3 milhões


Bancário usava dados de correntistas sem autorização e direcionava recursos para contas de terceiros

Ex-gerente de banco é acusado de desviar R$ 2,3 mi com financiamentos falsos
Fachada do Banco do Brasil em Guia Lopes da Laguna onde crime aconteceu (Foto: Google Street View)

O ex-gerente da agência do Banco do Brasil de Guia Lopes da Laguna, Delfino Martins da Silva, foi denunciado pelo MPF (Ministério Público Federal ) por usar dados de correntistas sem autorização para criar financiamentos rurais fraudulentos e desviar pelo menos R$ 2,3 milhões da instituição financeira. A suposta fraude teria ocorrido entre 2014 e 2016 e envolvido 26 operações de crédito.

Ex-gerente do Banco do Brasil em Guia Lopes da Laguna foi denunciado pelo MPF por usar dados de clientes sem autorização para criar financiamentos rurais fraudulentos e desviar R$ 2,3 milhões entre 2014 e 2016. Os recursos eram enviados a contas de laranjas e à empresa RD Serviços. A defesa pediu absolvição, mas o juiz manteve a ação. Audiências estão marcadas para outubro de 2026.

Segundo a denúncia, Delfino aproveitava o acesso privilegiado aos sistemas internos do banco para selecionar informações cadastrais de clientes da agência e registrar propostas de financiamento em nome deles sem qualquer autorização. Os recursos liberados eram direcionados para contas de terceiros e da empresa RD Serviços, apontada pela acusação como destinatária de grande parte do dinheiro.

Para ocultar o esquema, os contratos dos financiamentos não eram arquivados na instituição financeira. Durante as investigações, diversos correntistas afirmaram que nunca solicitaram os empréstimos nem assinaram os documentos vinculados aos seus nomes.

O MPF sustenta que os valores desviados eram pulverizados em contas de “laranjas” antes de serem canalizados para a empresa ligada ao ex-gerente, numa tentativa de esconder a origem dos recursos. A acusação atribui a Delfino os crimes de desvio de valores por funcionário de instituição financeira, obtenção de financiamento mediante fraude e lavagem de dinheiro.

A defesa tentou barrar o andamento do processo na 3ª Vara Federal de Campo Grande. Os advogados pediram a absolvição sumária do ex-bancário ou a rejeição da denúncia, alegando ausência de provas sobre a materialidade dos crimes e inexistência de enriquecimento ilícito.

Segundo a defesa, os recursos apontados como desviados foram integralmente destinados a terceiros, sem comprovação de qualquer repasse ou benefício financeiro direto ao acusado. Também foi solicitado um novo exame pericial para rastrear a movimentação dos valores e demonstrar que Delfino não tinha controle sobre os recursos que passaram pela conta da empresa RD Serviços.

Ao analisar o caso, o juiz federal Felipe Alves Tavares rejeitou os pedidos. Na decisão, afirmou que a denúncia individualiza as 26 operações investigadas e está amparada por elementos como registros do sistema interno do Banco do Brasil, laudos periciais e depoimentos de correntistas que negaram ter contratado os financiamentos.

O magistrado também considerou desnecessária, neste momento, a realização de nova perícia contábil e destacou que as teses da defesa deverão ser discutidas durante a instrução processual.

Com a manutenção da ação penal, foram marcadas para os dias 28 e 29 de outubro de 2026 as audiências de instrução e julgamento. As oitivas das testemunhas e o interrogatório do réu serão realizados por videoconferência.



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