O câncer de ofaringe, ou câncer de boca — que atinge regiões como as amígdalas (a base da língua e da garganta) — se tornou um alerta após o aumento no número de casos em todo o mundo.
No Brasil, cerca de 40 mil novos diagnósticos são registrados por ano e 70% deles são concentrados na população masculina, segundo dados do INCA (Instituto Nacional do Câncer).
Segundo o Ministério da Saúde, a doença é impulsionada pelo uso de tabaco e álcool, mas também está relacionada a contração do vírus HPV (Papiloma Vírus Humano) — o que mantém um alerta em relação a prevenção desse patógeno, visto que homens são os que menos realizam exames para detectar infecções sexualmente transmissíveis.
Segundo a Dra. Laísa Silva, oncologista do CEJAM (Centro de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim), diferentemente do que ocorre com o câncer do colo do útero, que conta com estratégias de rastreamento específicas, não há, atualmente, formas de detectar o HPV na cavidade oral ou na garganta de forma preventiva. Por isso, a vacinação e a atenção a sintomas persistentes são medidas essenciais de prevenção e cuidado.
O HPV não deve ser tratado como um tema exclusivamente feminino. Embora muitas infecções desapareçam espontaneamente, a persistência de tipos de alto risco pode contribuir para o desenvolvimento de diversos tipos de neoplasias, como em pênis, ânus, e, mais comumente, na região da orofaringe.
Como prevenir?
Para mudar esse diagnóstico, além de manter uma vida saudável longe do tabagismo e do alcoolismo, é necessário realizar a vacinação contra o HPV. No Brasil, o SUS (Sistema Único de Saúde) oferece gratuitamente a vacina em dose única para meninas e meninos de 9 a 14 anos.
“A vacinação na adolescência oferece uma oportunidade importante de proteção antes da exposição ao vírus. Por isso, é fundamental que pais e responsáveis mantenham a caderneta vacinal atualizada e que o tema seja tratado como parte da rotina de cuidados de meninos e meninas”, conclui a oncologista.
A especialista orienta que, também, sejam observados os sintomas que podem identificar o diagnóstico. Nestes casos, é recomendável procurar um especialista em garganta.
Quais são os principais sintomas?
- Dificuldade para engolir;
- Sensação de que há algo na garganta;
- Irritação constante na garganta;
- Caroço no pescoço;
- Alteração na voz ou rouquidão;
- Perda de peso sem razão nem dieta;
- Tosse;
- Dificuldade para respirar
Diagnóstico e tratamento
O câncer de boca normalmente é identificado pelo exame clínico (visual). Caso o dentista ou médico suspeite da doença após o exame clínico visual, uma biópsia (retirada de um pequeno fragmento da lesão para exame laboratorial) será realizada.
Se detectado em sua fase inicial, as chances de cura aumentam. Por este motivo, é necessário ir ao médico imediatamente se tiver com os fortes sintomas (citados acima).
Na maioria dos casos, o tratamento é realizado por cirurgia. Mesmo assim, é necessário que o paciente mantenha consultas de rotina nos primeiros 5 anos após o diagnóstico, por ser um período propício ao retorno da doença.


