Com orçamento de 1,5 milhão de dólares, nenhum distribuidor e um diretor em meio à quimioterapia, saiba como O Beijo da Mulher Aranha passou de um filme “impossível” a uma obra-prima vencedora do Oscar.
Em 1985, William Hurt foi o protagonista de um filme extraordinário dirigido pelo cineasta brasileiro Hector Babenco: O Beijo da Mulher Aranha. Sendo quase um drama de confinamento ambientado em uma prisão de um país fictício da América do Sul sob um regime ditatorial (um reflexo evidente da situação política do Brasil, que em 1985 saía de 21 anos de ditadura militar), Hurt interpreta Molina, um prisioneiro homossexual condenado por um “crime contra os costumes”.
Obrigado a dividir a cela com Valentín, um jornalista revolucionário torturado e preso por suas ideias políticas (interpretado pelo fabuloso Raul Julia em um dos papéis de sua vida), Molina compartilha com seu companheiro de cela os sonhos que cria com base nos velhos filmes guardados em sua memória. Enquanto a hostilidade inicial entre os dois detentos se transforma em amizade, uma teia de traição se tece inexoravelmente ao redor deles, testando a confiança mútua e o espírito de sacrifício de ambos.
“Mulheres fatais que se movem em um mundo dominado por homens”
Na origem dessa história está o romance escrito pelo autor argentino Manuel Puig. Tendo crescido em um pequeno vilarejo nos Pampas durante a ditadura de Juan Perón, sua única distração real era o cinema, que descobriu graças à sua mãe e que frequentava quase diariamente:
“Assim que o filme começava, tudo se tornava mais puro. Ali eu encontrava Jean Harlow, Greta Garbo, Rita Hayworth… Mulheres fatais que se moviam em um mundo domina…

