O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, celebrou nesta segunda-feira (5) a ida do senador Flávio Bolsonaro (PL), à frente do presidente Lula (PT), ao segundo turno das eleições brasileiras.
Em entrevista a jornalistas enquanto deixava a Casa Branca, o republicano foi questionado sobre o que achou do resultado Flávio Bolsonaro a frente ao presidente Lula (PT). Ele respondeu que “é uma grande vitória, bem apertada, mas uma grande, grande vitória. Incrível”. O candidato bolsonarista arrematou 47,03% dos votos contra 45,16% de Lula.
Ele também afirmou que prevê uma eleição muito disputada no segundo turno. “Vai ser muito acirrada. Acho que a disputa no Brasil será muito acirrada.”
Antes dessa declaração, havia entre aliados de Flávio Bolsonaro nos EUA dúvidas sobre eventual endosso de Trump à candidatura do senador. Na semana passada, uma pessoa ligada ao candidato disse à Folha considerar improvável uma manifestação explícita de apoio do presidente americano. A ressalva, porém, era a conhecida imprevisibilidade de Trump: segundo esse interlocutor, ele poderia simplesmente “fazer o que quiser”.
Nos bastidores do governo Trump, integrantes politicamente indicados da gestão têm defendido uma postura mais dura em relação ao governo Lula. Entre as razões apontadas internamente estão divergências ideológicas com o presidente brasileiro, os embates em torno do que integrantes do governo americano classificam como “censura”, a aproximação do Brasil com o Irã e a resistência de Lula a pressões de Trump.
A postura, porém, não é uniforme dentro do governo americano. Interesses estratégicos dos EUA, em especial o acesso a minerais críticos brasileiros, criam divergências entre integrantes da gestão que defendem maior pressão política sobre Brasília e setores interessados em preservar a cooperação econômica com o país a despeito da coloração política no Planalto.
No domingo, horas após o resultado, Trump fez uma publicação em que trocou o Brasil pela Índia, ao elogiar a rapidez da apuração dos votos. Após a confusão, o republicano editou a postagem para citar a “eleição presidencial do Brasil”.
“125 milhões de pessoas votaram hoje no primeiro turno da eleição presidencial da Índia. Os resultados saíram pouco depois do encerramento da votação, NO MESMO DIA”, havia escrito Trump em sua rede Social Truth, sem mencionar nenhum candidato diretamente. A Índia, porém, não realizou eleições no domingo. O republicano depois corrigiu a informação sem mencionar o erro.
A votação ocorre em um momento de relação bilateral fragilizada entre os EUA e o Brasil, na esteira de ações do governo de Donald Trump vistas pelo governo Lula como tentativas de interferência no processo eleitoral brasileiro, entre elas a aplicação de tarifas e sanções a autoridades brasileiras, sendo a mais recente contra a embaixadora Maria Luiza Viotti, que teve o visto cancelado em agosto.
Antes da declaração nesta segunda, Trump comentou na última semana, por duas vezes, que estava observando o pleito brasileiro “muito de perto”, mas não citou ou endossou nenhum dos candidatos.
Aliados na órbita do republicano têm comentado o pleito desde que apuração já indicava Flávio consolidado à frente de Lula neste domingo. O ex-estrategista de campanhas de Trump, Jason Miller, parabenizou o brasileiro, e deputados republicanos próximos da família Bolsonaro, como Maria Elvira Salazar e Carlos Gimenez criticaram Lula ao celebrar o bom resultado de Flávio.
Nesta segunda, o filho do presidente americano, Donald Trump Jr., atribuiu o bom desempenho da direita na América Latina ao desmonte da Usaid, a agência americana de ajuda internacional, durante o o segundo mandato de Trump.
“Desde que desmantelamos a Usaid, a esquerda não ganhou uma única eleição presidencial na América Latina”, escreveu Trump Jr. nas redes sociais, horas após o resultado do primeiro turno no Brasil.
Ele afirmou, sem apresentar evidências, que bilhões de dólares dos contribuintes americanos eram destinados a ONGs, programas de promoção da democracia e redes de ativistas que “convenientemente sempre apoiavam o mesmo lado”.
O filho do presidente classificou a atuação da agência como “interferência eleitoral” e agradeceu a Elon Musk, que, segundo ele, teve papel central nos primeiros esforços do governo Trump para desmontar a estrutura da Usaid. “Eles chamavam isso de ajuda, mas era interferência eleitoral. Obrigado, Elon Musk, por trazer isso à luz. O golpe acabou”, escreveu.
Musk também comentou as eleições brasileiras sob o mesmo contexto. Nas redes sociais, ele compartilhou uma reportagem sobre o Brasil e disse que a “Usaid se envolveu em interferência eleitoral e mudança de regime em todo o mundo, causando imensos conflitos”.


