O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, suspendeu temporariamente os agendamentos de vistos de imigração em todo o mundo, em meio à ofensiva contra a imigração conduzida pelo governo americano durante o segundo mandato do líder republicano na Casa Branca.
Um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA afirmou nesta terça-feira (25) que o órgão iniciou uma iniciativa global de treinamento em todas as embaixadas e consulados americanos e que os agendamentos de serviços de visto serão ajustados para viabilizar a capacitação.
O Departamento de Estado não forneceu detalhes sobre o treinamento nem sobre seu cronograma, limitando-se a dizer que a capacitação tinha como objetivo ajudar funcionários consulares a barrar solicitantes considerados propensos a depender de benefícios públicos dos EUA e garantir que os pedidos de visto fossem avaliados “de forma abrangente e consistente”.
A suspensão dos agendamentos de vistos foi noticiada inicialmente pelo Financial Times, que afirmou que solicitantes de vistos de imigração com entrevistas marcadas em embaixadas e consulados dos EUA receberam emails informando que seus horários estavam sendo remarcados e que seriam posteriormente notificados sobre uma nova data.
Procurada por email, a embaixada dos EUA em Brasília não respondeu até a publicação desta reportagem. Não está claro se a medida vale também para solicitantes de visto de turismo.
Trump tem promovido uma campanha de deportações e de repressão à imigração, que inclui a revogação de vistos e green cards e a rejeição de novos pedidos por uma série de motivos, como opiniões políticas e participação em protestos pró-Palestina. O republicano afirma que a ofensiva tem como objetivo melhorar a segurança interna.
O governo planeja revogar os vistos de estrangeiros que foram temporariamente aos EUA a turismo ou a negócios, mas buscaram estender a permanência no país ao pedir asilo.
O Departamento de Estado começou a revisar esses documentos, e os cancelamentos devem ocorrer em etapas. A medida pode afetar até 200 mil titulares de vistos no país e solicitantes de asilo.
“Sob a liderança do presidente Donald Trump e do secretário Marco Rubio, estamos deixando claro que o visto é um privilégio —não um direito”, escreveu Tommy Pigott, porta-voz do Departamento de Estado, em comunicado.
A repressão tem sofrido alguns reveses judiciais. Na última sexta-feira, um juiz dos EUA derrubou uma política do governo Trump que suspendia a emissão de vistos de imigrante para solicitantes de 75 países
A juíza federal Jeannette Vargas, de Nova York, anulou a moratória, que estava em vigor desde o dia 21 de janeiro e atingia também cidadãos do Brasil.
Na decisão, a juíza afirmou que a política contrariava a lei e excedia a autoridade legal de Rubio. A medida se aplicava a quem pretendia morar no país, sem afetar turistas, estudantes em intercâmbio e trabalhadores por tempo determinado, por exemplo.
Além do Brasil, estavam na lista Somália, Rússia, Afeganistão, Irã, Iraque, Egito, Nigéria, Tailândia e Iêmen, entre outros. O Departamento de Estado argumenta que os imigrantes destes países representavam “um alto risco de dependerem de assistência social ou de se tornarem um peso para as finanças públicas”.
A magistrada compreendeu, porém, que os funcionários consulares foram instruídos a recusar vistos de imigração com base apenas no país de origem dos solicitantes, mesmo quando as pessoas cumpriam os demais requisitos para obter a autorização. A decisão de Vargas revoga qualquer negativa que se ampare nesta política; cabe recurso.
A repressão de Trump à imigração tem sido am plamente condenada por grupos de direitos humanos, que a consideram discriminatória e uma violação dos direitos à liberdade de expressão e ao devido processo legal. Essas organizações também afirmam que a ofensiva criou um ambiente inseguro nos EUA, especialmente para minorias étnicas, que manifestaram preocupação com abordagens baseadas em perfil racial.
Embora Trump tenha feito campanha em 2024 com uma plataforma voltada a conter a imigração ilegal, seu governo também tornou a imigração legal mais difícil —por exemplo, ao impor novas e elevadas taxas a solicitantes de determinados vistos de trabalho.


