InícioBrasilGoverno Milei barra empresa brasileira de licitação de hidrovia

Governo Milei barra empresa brasileira de licitação de hidrovia


A licitação da Via Navegável Troncal, o trecho argentino da hidrovia Paraguai-Paraná, está próxima do fim após mais de dois anos de um processo repleto de disputas judiciais e denúncias de favorecimento à atual operadora Jan De Nul. Até mesmo a reta final reservou controvérsias com a desclassificação da empresa brasileira DTA Engenharia do certame.

Dois concorrentes chegaram empatados à última etapa. O consórcio formado pela belga Jan De Nul com a argentina Servimagnus apresentou proposta financeira idêntica ao grupo composto pela também belga Deme em conjunto com as norte-americanas Great Lakes, Clear Street e KKR. A decisão agora caberá à Agência Nacional de Portos e Navegação da Argentina (ANPYN). Ainda não há uma data para a definição.

A vencedora será a responsável pela operação de 1,4 mil quilômetros da hidrovia no rio Paraná desde Corrientes até a foz no rio da Prata. Nos 25 anos de concessão estão previstos investimentos de US$ 15 bilhões, incluindo a dragagem contínua e aumento de calado em alguns trechos.

A hidrovia Paraguai-Paraná é um dos principais canais de escoamento de produção da América do Sul. Cerca de 80% das exportações da Argentina e do Paraguai passam pelas águas da hidrovia, sem contar a importância para Bolívia e Uruguai. No caso do Brasil, trata-se de uma via fundamental de saída de minério de ferro produzido no Mato Grosso do Sul que é exportado para a China e Europa.

Esse corredor logístico começa no porto de Cáceres, no Mato Grosso, e desce 3.442 quilômetros pelos rios Paraguai e Paraná. O trecho brasileiro, porém, opera com limitações devido ao assoreamento. O governo federal planeja fazer uma licitação até o fim de 2026.

VEJA TAMBÉM:

Empresa brasileira foi desclassificada na penúltima etapa

O grupo belga Jan De Nul opera na hidrovia Paraguai-Paraná desde 1995, e esse é um ponto central nas batalhas judiciais que adiaram várias vezes a realização do certame. No edital constam critérios que somente a Jan De Nul cumpriria, como “experiência em uma exploração semelhante”, que daria 35 pontos à empresa. Ou seja, as demais saíram com 35 pontos a menos.

Isso inclui a brasileira DTA Engenharia, que opera serviços de dragagem em vários portos brasileiros. A empresa havia se manifestado antes mesmo de ser desclassificada da licitação no início de maio. Em uma carta-protesto enviada à ANPYN, reclamou que o edital “acabou por restringir ainda mais a participação de empresas plenamente capacitadas para apresentar propostas para este importante projeto de vias navegáveis de grande impacto regional.”

Além disso, o presidente da DTA Engenharia, João Acácio Gomes de Oliveira Neto, apontou “alinhamento estrutural” em uma crítica direta ao governo do presidente Javier Milei. “Nosso país irmão e vizinho, a Argentina, parece ser mais um irmão ou uma extensão do país europeu ‘Bélgica’ (ou Holanda), afastando-se do espírito de integração e fortalecimento regional que se espera entre países vizinhos e parceiros estratégicos do Mercosul”, escreveu.

Segundo a ANPYN, a empresa brasileira foi desclassificada por não ter apresentado o seguro-garantia de US$ 20 milhões exigidos no edital. A DTA Engenharia inscreveu uma quantia simbólica de US$ 1,00 como forma de protesto.

O governo argentino também deixou de fora empresas chinesas, mas isso antes mesmo do processo começar a andar. Um dos artigos do edital proibia a participação de companhias com governos como acionistas. As empresas da China com expertise nesse setor são bancadas pelo regime de Xi Jinping. Milei criticou a China em diversas ocasiões, apesar de ter aberto um canal de negociações com Pequim na área comercial.

VEJA TAMBÉM:

Governo da Argentina elogia participantes belgas

O Ministério da Economia da Argentina confirmou em nota que a Jan De Nul e a Deme avançaram para a última etapa após oferecerem uma tarifa de US$ 3,80 por tonelada de carga, o que significa uma redução de 13,5% do que é pago hoje por transportadores que usam o trecho argentino da hidrovia Paraguai-Paraná.

Segundo a pasta, a licitação chegou à fase final “com forte apoio multissetorial e sem contestação” e com “diálogo institucional, transparência e consistência técnica.”

Na nota, o governo Milei ainda destaca que as duas empresas que chegaram ao fim do processo não questionaram o edital. “Vale ressaltar que nem a Jan De Nul nem a Deme apresentaram contestações nas duas instâncias anteriores, nem questionaram os requisitos do edital, o que confirma a transparência e a solidez do processo”, informou.



Veja a matéria completa aqui!

RELATED ARTICLES

Alunos do Projeto Bombeiros do Amanhã…

Abertura do JEJ terá espetáculo do…

CIEI Geraldo Nantes encerra projetos…

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

- Publicidade -

mais vistas