Um estudo mostra que adolescentes podem dormir até 45 minutos a mais por noite quando têm mais flexibilidade no horário de entrada na escola. Além de analisar os impactos dessa rotina na saúde e no desempenho acadêmico em escolas na Suíça.
A pesquisa foi publicada em junho de 2026, na revista ‘Journal of Adolescent Health’, que é um espaço destinado à pesquisa sobre a saúde e o bem-estar de adolescentes e jovens adultos.
O estudo foi feito em duas unidades de ensino, onde a mediana da idade foi de 14 anos e cerca de dois terços eram meninos. A pesquisa contou com a resposta de 754 alunos.
No modelo flexível, 95% dos alunos utilizaram a opção de início mais tardio. A média do horário de início das aulas foi atrasada em 38 minutos, o atraso no horário de início das aulas foi associado ao aumento da duração do sono nos dias letivos.
A pesquisa apontou que a duração do sono foi maior tanto nos dias de aula, um aumento de 45 minutos, quanto nos dias de folga, 30 minutos.
A alteração na rotina dos jovens não resultou em efeitos adversos, pelo contrário, os resultados constaram redução dos problemas para dormir, um menor número de alunos com baixa qualidade de vida relacionada à saúde e notas mais altas em matemática e inglês.
O estudo pode ser acessado neste link.
O que dizem os especialistas?
A psicopedagoga e coordenadora dos anos iniciais do Colégio Sigma, Ana Carolina Pires, explica que o sono pode influenciar diversas questões, além da acadêmica.
“É durante o sono que os adolescentes conseguem recuperar a atenção, organizar as ideias e consolidar as memórias. O sono também influencia o humor e o bem-estar emocional”, explica a psicopedagoga.
Ana Carolina Pires ainda ressalta que a falta de uma boa qualidade de sono pode acarretar diversos prejuízos para os jovens.
“Quando o sono não é suficiente ou não tem boa qualidade, podemos perceber alguns sinais, como dificuldade para acordar, sonolência durante o dia, esquecimento de conteúdos, irritabilidade e mudanças de humor. Esses fatores também podem prejudicar a concentração e o desempenho escolar”, diz.
Além disso, a especialista identifica alguns pontos onde a escola e a família podem se unir para deixar essa parte essencial para o desenvolvimento mais benéfica.
“O ideal é que família e escola trabalhem juntas para criar uma rotina realista, em vez de simplesmente exigir que o adolescente “durma mais”. Um ponto importante é reduzir o tempo de uso de telas, principalmente próximo ao horário de dormir, e organizar os horários de estudos, lazer e descanso. As escolas também podem ajudar observando sinais persistentes de sonolência, queda de rendimento ou mudanças de comportamento, além de orientar os estudantes e suas famílias sobre a importância do sono”, recomenda.
A psicopedagoga aponta que a rotina bem estabelecida pode fazer a diferença.
“Assim, uma rotina equilibrada, com tempo adequado para dormir, estudar, descansar e realizar outras atividades, contribui para uma melhor aprendizagem, concentração e qualidade de vida dos adolescentes”, informa.
*Sob supervisão de Thiago Félix


