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Fila na madrugada por consulta odontológica em Campo Grande


Pelo menos 50 pessoas chegaram de madrugada para tentar agendar atendimento odontológico

Fila dobra esquina por dentista com paciente reclamando de espera há 3 anos
Fila começou a se formar ainda durante a madrugada e chegou a dobrar a esquina da USF José Tavares. (Foto: Geniffer Valeriano)

Pelo menos 50 moradores enfrentaram fila na madrugada desta quinta-feira (2) para tentar agendar consultas odontológicas na USF (Unidade de Saúde da Família) José Tavares, no Bairro Nova Lima, em Campo Grande. Antes das 6h, a fila já dobrava a esquina da unidade e reunia pacientes que relatam esperar há meses e, em alguns casos, até três anos por atendimento.

Cerca de 50 moradores enfrentaram fila desde a madrugada desta quinta-feira (2) para agendar consultas odontológicas na USF José Tavares, no Bairro Nova Lima, em Campo Grande. Pacientes relatam esperar há meses, e alguns há até três anos, por atendimento. Entre eles, idosos com dificuldades para se alimentar, diabéticos e hipertensos que dependem do cuidado bucal. A Sesau foi questionada sobre vagas e demanda reprimida, mas não se manifestou.

Entre os moradores estavam pessoas em busca de acompanhamento preventivo, pacientes com dores recorrentes e familiares de idosos que enfrentam dificuldades até para se alimentar por falta de tratamento odontológico.

A aposentada Conceição de Souza, de 62 anos, chegou cedo para tentar uma vaga para si e para a filha. Enquanto aguardava atendimento, carregava a expectativa de conseguir dar continuidade a um tratamento interrompido pela dificuldade de acesso às consultas.

Ela conta que já precisou recorrer ao atendimento de urgência enquanto aguardava uma vaga na rede pública. Segundo a aposentada, a filha chegou a receber medicação para controlar uma inflamação causada por problemas dentários.

Fila dobra esquina por dentista com paciente reclamando de espera há 3 anos
Diabética e hipertensa, Maria Aparecida Mendes enfrentou a fila para garantir acompanhamento odontológico. (Foto: Geniffer Valeriano)

“Vim aqui no mês passado e me encaminharam para a UPA para fazer limpeza. Já fiz duas limpezas e pediram para retornar. No primeiro atendimento passaram até amoxicilina porque o dente estava inflamado e ela estava com muita dor”, relata.

Agora, a preocupação é conseguir atendimento antes que a situação se agrave ainda mais. “Espero que consiga ser atendida rápido para uma data próxima porque o dente está mole e incomoda para mastigar”.

A preocupação com a saúde também levou a aposentada Maria Aparecida Mendes, de 67 anos, a enfrentar a fila. Diabética e hipertensa, ela chegou pouco depois das 6h e encontrou dezenas de pessoas aguardando atendimento.

Fila dobra esquina por dentista com paciente reclamando de espera há 3 anos
Conceição de Souza busca atendimento após enfrentar dores e recorrer a consultas de urgência. (Foto: Geniffer Valeriano)

Há seis meses morando na região, Maria afirma que o acompanhamento odontológico é essencial para evitar complicações relacionadas às doenças crônicas.

“Tem seis meses que me mudei para cá e preciso marcar dentista. Quem tem diabetes e pressão alta precisa cuidar bem dos dentes. Se começa a escovar e sangra, é perigoso entrar bactéria”, explica.

A cozinheira Silvana Sampaio, de 37 anos, precisou faltar ao trabalho para tentar uma vaga para a mãe, de 67 anos. Segundo ela, a idosa aguarda atendimento há cerca de oito meses e enfrenta dificuldades até para comer.

“Ela não consegue mastigar porque precisa extrair sete dentes para colocar a dentadura. Está sendo horrível essa espera. Conseguir uma vaga é difícil porque tem muita gente”, afirma.

Fila dobra esquina por dentista com paciente reclamando de espera há 3 anos
Silvana Sampaio faltou ao trabalho para tentar uma vaga para a mãe, que precisa extrair sete dentes. (Foto: Geniffer Valeriano)

Silvana conta que soube da abertura das vagas por agentes comunitários de saúde e chegou à unidade por volta das 6h30. Na avaliação dela, o aumento da população atendida pela unidade contribuiu para a alta procura.

“Ta vindo bastante gente para essa região, aumentou o público e tem sido difícil conseguir vaga quando abre. Espero que todo mundo consiga ser agendado porque a procura está muito grande”, diz.

Enquanto alguns buscavam atendimento para problemas já instalados, outros enfrentaram a madrugada para garantir consultas de rotina. Foi o caso do aposentado João Rosa, de 63 anos, terceiro da fila.

Ele chegou à unidade às 4h15. Naquele momento, já havia duas pessoas aguardando atendimento. Uma delas estava no local desde as 3h da manhã. Depois de mais de três horas de espera, saiu da unidade com consulta marcada para o próximo dia 10.

Fila dobra esquina por dentista com paciente reclamando de espera há 3 anos
Andreia Euzeb afirma que tenta conseguir atendimento odontológico na rede pública há cerca de três anos. (Foto: Geniffer Valeriano)

“Eu cheguei 4h15 da manhã e já tinham dois na minha frente. Um chegou às 3h e o outro um pouquinho antes de mim. Consegui marcar para o dia 10”, conta.

Sem passar por consulta odontológica há cerca de três anos, João afirma que decidiu procurar atendimento para retomar o acompanhamento regular. “A gente tem que chegar cedo porque quem quer beber água limpa chega cedo”, comenta.

Mais ao centro da fila estava a dona de casa Andreia Euzeb, de 45 anos. Ela chegou por volta das 6h20 e afirma que tenta conseguir atendimento odontológico desde que se mudou para o Bairro Vida Nova, há três anos.

Segundo ela, a falta de atendimento obrigou familiares a recorrerem ao serviço particular quando surgiram emergências. Ela afirma que tanto a filha quanto a neta precisaram pagar por consultas devido à falta de vagas na rede pública.

Fila dobra esquina por dentista com paciente reclamando de espera há 3 anos
Moradores enfrentaram horas de espera para tentar agendar atendimento odontológico. (Foto: Geniffer Valeriano)

“Foi difícil ficar sem atendimento. Se você não vai no 24 horas, tem que ir no particular. Minha filha e minha neta precisaram ir no particular por emergência. Hoje vim marcar para todos. Estou esperançosa para conseguir uma vaguinha”, acrescenta.

A movimentação intensa chamou a atenção de quem passava pela unidade. Por volta das 7h40, ainda havia moradores aguardando atendimento e a fila ocupava boa parte da calçada.

Durante a manhã, uma viatura da GCM (Guarda Civil Metropolitana), da equipe da Ronda Escolar, permaneceu no local acompanhando a movimentação. Apesar da grande quantidade de pessoas, não houve registro de tumulto ou confusão.

A reportagem questionou a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) sobre o número de vagas disponibilizadas para atendimento odontológico na unidade, a capacidade atual do serviço, a existência de demanda reprimida na região e o motivo de não haver servidores realizando atendimento ou orientações aos pacientes nas primeiras horas da manhã, mesmo diante da formação da fila. O espaço segue aberto para manifestação.



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