Escrevo-lhes com o peito apertado, numa mistura de profunda indignação e inabalável fé no futuro da nossa terra. Enquanto muitos se distraem com o “pão e circo” das políticas locais, as nossas riquezas e a nossa dignidade estão sendo deixadas de lado. A verdade é nua, crua e dói no âmago da nossa história: Bonito é um paraíso que pede socorro.
Não é apenas um número abstrato. É a realidade das nossas ruas. Os recursos que deveriam estar aqui, frutos de uma das maiores taxas de turismo do Brasil, estão sumindo em meio à lama.
O resultado está estampado nas nossas ruas:
- Buracos: O asfalto se desfez, virou cratera, e a população sofre com o “buraco sem fim” das promessas não cumpridas.
- Saúde: A falta de medicamento nas farmácias públicas é vergonhosa.
- Coleta e Limpeza: A cidade, que deveria ser um exemplo de ecoturismo, convive com lixo acumulado e a sensação de abandono.
- Obras: Obras atrasadas e estradas inacabadas mancham nossa paisagem.
O mecanismo dessa traição é o que a “Operação Águas Turvas” tenta trazer à tona. Licitações duvidosas, contratos que favorecem meia dúzia e uma transparência que parece só existir no discurso. Onde estão os valores arrecadados com o turismo? Por que a cidade não retém o retorno desse dinheiro?
É revoltante ver que a nossa gente, que se mata de trabalhar para receber turistas com hospitalidade, é tratada com descaso na hora de receber serviços básicos. O povo de Bonito é guerreiro, é honesto, é o verdadeiro guardião deste paraíso. Mas o governo, com sua política de “pão e circo”, tenta mascarar a realidade com eventos, enquanto o essencial fica para trás.
Diante de tudo isso, a REVOLTA é legítima. Ela é o fogo que limpa a alma de um povo que não aguenta mais ser enganado.
Minha fé na Justiça se renova quando vejo a coragem das investigações e da imprensa. Mas a minha maior fé, aquela que faz meu coração pulsar com força, é a fé no povo de Bonito. Nós somos uma gente trabalhadora, honrada, que ergueu esta cidade no meio do Mato Grosso do Sul com suor e dignidade. Nós não merecemos o que temos. A cidade pertence a você. O dinheiro da Taxa de Turismo deveria servir aos seus filhos.
Não se deixe enganar pelo “pão e circo”. Olhe para os buracos, olhe para a falta de remédios, olhe para a rua sem limpeza. O seu voto, a sua voz e a sua fiscalização são as armas mais poderosas do mundo. A esperança não é esperar que as coisas mudem sozinhas; a esperança é a certeza de que nós temos a força para limpar a “água turva” e resgatar a nossa cidade.
Levante a cabeça. Sinta a indignação se transformar em coragem. Vamos fazer valer a nossa voz. O amanhã nos espera, e ele será limpo, justo e próspero.
Com respeito, coragem e profunda devoção à nossa terra,


