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BONITO DE FACHADA, CAOS NO QUINTAL: A CIDADE VIROU UM CANTEIRO DE OBRAS SEM RUMO ENQUANTO A CÂMARA ILUMINA O PRÓPRIO UMBIGO

Por Redação / Opinião

Bonito vive hoje o seu maior paradoxo. De um lado, a propaganda oficial vende a imagem impecável da “Capital do Ecoturismo”; do outro, quem mora na cidade enfrenta a rotina exaustiva de um município gerido por uma verdadeira “Administração Tabajara”, onde a falta de planejamento e a bagunça viraram regra. Do Jardim Andréia à Vila Donária, da Rua Olívio Flores aos altos da Vila Mimito, a ordem da gestão parece ser uma só: abrir buracos, rasgar ruas e mexer em tudo ao mesmo tempo, sem cronograma e sem prazo claro de conclusão.

A situação ganha contornos ainda mais inacreditáveis no Portal do Rio Formoso, onde a população padece diariamente com a poeira e a lama. Diante dos desabafos legítimos dos moradores nas redes sociais e em grupos de WhatsApp, a reação da prefeitura superou todos os limites do razoável. Em vídeo gravado diretamente do canteiro de obras, o prefeito Josmail Rodrigues declarou com todas as letras que o empresário responsável pela pavimentação “não aguenta mais o mimimi do povo em rede social” e ameaçou que, caso a obra seja paralisada por desistência da empresa, a culpa não será do prefeito, mas sim dos próprios moradores. No padrão inacreditável da “Administração Tabajara”, quem paga o imposto, engole poeira e vê a porta de casa destruída ainda tem que ouvir que a culpa da desordem e do atraso é de suas próprias reclamações.

Enquanto isso, em locais de fluxo intenso como a Avenida Pilad Rebuá, o trânsito vira um teste diário de paciência, e na Rua Luiz da Costa Leite, obras de estacionamento exibem acabamentos de qualidade contestável. No BNH, o cenário é de abandono total: o asfalto antigo foi arrancado há mais de dois meses e nada foi concluído, deixando moradores idosos impedidos de acessar a própria garagem e enfrentando meios-fios destruídos e desníveis perigosos.

E onde está o Poder Legislativo diante de tanta trapalhada? Muitos parlamentares parecem ocupados demais em suas rotinas: torrando a bagatela de R$ 12 mil na compra de decoração natalina para o prédio da Câmara, correndo atrás de gordas diárias de viagem ou travando embates no plenário pela “paternidade” ou “maternidade” de pequenas demandas de zeladoria — como a pintura de um meio-fio ou a colocação de um quebra-mola —, atribuições que cabem exclusivamente ao Executivo.

A piada no meio da população é que, entre as grandes pautas dos edis, a troca de lâmpadas virou prioridade máxima. Tanto que um dos parlamentares já ganhou nas ruas o espirituoso apelido de “vereador gestante”: aquele que está sempre pronto para “dar à luz”, já que o seu único discurso e grande projeto para a cidade resume-se a pedir a substituição de lâmpadas queimadas. Afinal, enquanto a população do Portal do Rio Formoso e do BNH engole poeira no escuro das obras abandonadas pela gestão “Tabajara”, a preocupação da Casa é apenas quem vai “dar a luz”.

O progresso de verdade não se faz apontando o dedo ao povo nem com lâmpadas de R$ 12 mil. A cobrança que surge das ruas não é apenas uma crítica por crítica; é um pedido por progresso de verdade. Progresso não é rasgar múltiplos bairros de uma vez só, sem planejamento técnico ou consideração pelos cidadãos. Progresso tampouco é um prefeito ir para a frente da câmera apontar o dedo para os moradores e culpar a população que reclama do descaso e da poeira. A comunidade do Portal do Rio Formoso e de toda a cidade tem o direito constitucional de exigir serviços bem feitos, respeito e prazos cumpridos.

Se os vereadores e a gestão municipal quisessem construir um futuro sólido para Bonito, o caminho seria outro: substituir a “gestão improvisada” por um plano diretor de obras de verdade, com cronogramas públicos, datas rígidas de entrega e fiscalização técnica sobre os contratos de pavimentação; trocar o conforto dos gabinetes, a busca por diárias e a obsessão por trocar lâmpadas pela presença constante nos bairros, indo ao Portal do Rio Formoso, ao BNH, à Vila Donária e ao Jardim Andréia para notificar as empreiteiras e exigir prazos do prefeito; e compreender que cobrar direitos em redes sociais não é “mimimi”, mas sim cidadania, lembrando que o papel do prefeito é coordenar obras com eficiência, não jogar a responsabilidade de possíveis paralisações nas costas de quem está sofrendo na porta de casa.

Bonito não precisa de discursos culpabilizando o povo, de vereadores “gestantes” focados em lâmpadas e privilégios, nem de iluminações superficiais. A população bonitense exige maturidade, respeito e, acima de tudo, o fim do amadorismo para que a cidade volte ater o progresso e a dignidade que merece.

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