InícioestadoBolsonaristas e azambujistas atropelam pastores e igrejas em eleição

Bolsonaristas e azambujistas atropelam pastores e igrejas em eleição


Republicanos dobra a bancada estadual com deputados recém-filiados, e Antonio Vaz, único nome da igreja na Casa, fica na suplência por 415 votos

A eleição que deu à direita o governo, as duas vagas no Senado e sete das oito cadeiras de Mato Grosso do Sul na Câmara deixou menor a presença de pastores nos cargos eletivos. Dos dois deputados estaduais com vínculo documentado com igrejas evangélicas, só um volta em 2027.

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Quem fica de fora é Antonio Vaz (Republicanos), pastor da Igreja Universal do Reino de Deus. Ele teve 19.101 votos, praticamente o mesmo que os 19.395 de 2022, quando se elegeu. Desta vez não bastou: terminou como suplente, 415 votos atrás de Pedrossian Neto, o segundo colocado do partido.

Vaz perdeu a vaga dentro da própria legenda. O Republicanos, sigla que é o braço político da Igreja Universal, elegeu dois deputados estaduais, Renato Câmara e Pedrossian Neto. Os dois se filiaram em 31 de março, no fim do prazo legal, vindos de outros partidos. Em abril, Vaz deixou a presidência estadual da sigla, que passou ao deputado federal Beto Pereira, ex-PSDB e aliado do senador eleito Reinaldo Azambuja (PL). O partido ficou na órbita do azambujismo em MS.

A troca rendeu votos. O Republicanos elegeu dois federais, Beto Pereira (77.485) e Isa Marcondes (76.956), e dois estaduais. Nenhum dos quatro tem trajetória na igreja.

Isa ganhou popularidade na rede social e foi eleita como a mais votada de Dourados, com o bordão “Dourados está uma zona e de zona eu entendo”. No partido, foi tratada como um fenômeno imprevisível e levou o partido a duas cadeiras.

Na reta final da campanha, após a exposição de vídeos antigos seus em grupos de whatsapp e avisos que outros vídeos mais constrangedores seriam vazados, ela foi às suas redes e ameaçou divulgar vídeos de políticos e outras autoridades que estiveram em sua antiga casa de entretenimento adulto. O vídeo teve milhares de visualizações e o assunto sumiu das redes. Foi a sétima mais votada para a Câmara em MS, pela sigla criada sob influência da Universal.

Outro nome do partido citado com ligações dentro da igreja FIT, Herculano Borges, encolheu: caiu de 17.786 votos em 2022 para 12.781 agora. Não se elegeu e volta para o mandato de vereador da Capital.

Pastores perderam

A retração começou antes da votação. Em 2022, 14 dos 558 candidatos a deputado no estado usavam título religioso no nome de urna ou declaravam ocupação religiosa ao TSE. Metade era do Republicanos. Juntos, somaram 45.458 votos, e nenhum se elegeu. Em 2026, foram 5 entre 377 candidatos, com 483 votos no total.

O espaço foi ocupado por candidatos que falam ao eleitor evangélico sem passar pela estrutura das igrejas.

O PL, partido dos Bolsonaro e de Azambuja, fez 9 das 24 cadeiras da Assembleia e elegeu os dois senadores. Evangélicos são 32,5% da população do estado, de acordo com Censo 2022. Uma pesquisa do instituto Qaest aponta 35% da população em MS como evangélica.

Única vaga

O único candidato com apoio declarado de uma denominação a se eleger foi Lidio Lopes (Avante), reeleito com 20.516 votos. Em agosto, o pastor José Wellington Bezerra da Costa, presidente de honra da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil, o apresentou como candidato oficial da igreja em MS, segundo release distribuido pela assessoria do parlamentar, que é marido da prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP). Lidio concorreu fora do PL e do Republicanos.

O quadro se repetiu em outros estados. Quatro filhos do missionário R.R. Soares que tinham mandato em São Paulo e no Rio não se reelegeram. A igreja tem ligações com Estado, já que a família tem empresas de comunicação por aqui, o SBT MS, TV Guanandi e a RIT de Dourados.

A Assembleia de Deus do Brás lançou quatro candidatos em São Paulo e não elegeu nenhum. Edna Macedo, irmã do bispo Edir Macedo, perdeu a cadeira na Assembleia paulista.

A revista Comunhão contou 311 candidaturas com “pastor” no nome em todo o país, contra 524 em 2022.





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