Enquanto os relatórios oficiais pintam um cenário de mar de rosas com índices de cobertura de esgoto batendo na casa dos 99% em Bonito — turbinados por investimentos recentes e pela promessa de R$ 1,5 milhão em ampliações —, a conversa na prática é bem diferente. A simples expansão da rede coletora, celebrada em planilhas da concessionária, traz um alerta crítico que não pode ser varrido para debaixo do tapete: a falta de transparência sobre a qualidade real do tratamento e o risco iminente de apenas transferir a carga poluidora do Córrego Restinga direto para a bacia do Córrego Mutum.
O xis da questão está na tecnologia aplicada. O sistema atual opera apenas com tratamento secundário, que remove a matéria orgânica bruta, mas deixa passar uma quantidade massiva de nutrientes como nitrogênio e fósforo. Sem a implantação de um tratamento terciário avançado, esse “coquetel” de nutrientes despejado in natura nos mananciais provoca a proliferação descontrolada de algas — o fenômeno da eutrofização que transforma os nossos rios cristalinos naquela água verde, turva e sem vida.
Despejar essa carga nos córregos sem o polimento terciário é uma maquiagem institucional que coloca em xeque a segurança ambiental da nossa capital do ecoturismo. O esgotamento sanitário exige dados abertos, telemetria pública e monitoramento em tempo real, conforme prevê a Lei de Acesso à Informação, para assegurar que aquilo que é devolvido à natureza não vá destruir o ecossistema e os mananciais que abastecem a região. Afinal, sem água transparente e preservação rigorosa, o cartão-postal desmorona.
É exatamente nesse front de cobrança por auditoria externa, transparência e responsabilidade técnica que a fiscalização comunitária e o papel das entidades ambientais se tornam cruciais. A população e o debate público cobram um posicionamento firme e vigilante para que os investimentos não virem uma ameaça silenciosa aos nossos rios.
O Instituto das Águas da Serra da Bodoquena (IASB) se declara e atua como o verdadeiro guardião das águas da região. Fundado em 2002, o IASB carrega uma sólida trajetória de 24 anos dedicados à conservação ambiental, à recuperação de nascentes, ao reflorestamento de matas ciliares e à educação ambiental em Bonito e arredores. Mas a dúvida que fica no ar perante a população é direta: cadê as análises da água? Onde está o monitoramento e onde a gente encontra os resultados de toda essa fiscalização?
Vamos Fazer Bonito. Então faça bonito para poder dizer, Fizemos Bonito!!!!
A palavra é com você, guardião das águas da Serra da Bodoquena!



