Categoria mantém cobrança de 5,4% e ameaça greve caso o documento não seja enviado pela prefeitura até amanhã

Após quase três horas de reunião fechada no Paço Municipal, a Prefeitura de Campo Grande e a ACP (Sindicato Campo-grandense dos Profissionais da Educação Pública) encerraram, nesta segunda-feira (6), a negociação sobre o reajuste do piso salarial dos professores da Reme (Rede Municipal de Ensino) sem um acordo formal. A expectativa do sindicato agora é receber, até esta terça-feira (7), uma proposta oficial da administração municipal, que será apresentada diretamente à assembleia da categoria.
A Prefeitura de Campo Grande e o Sindicato ACP encerraram reunião nesta segunda-feira (6) sem acordo sobre o reajuste salarial dos professores da Rede Municipal. A categoria exige 5,4% à vista ainda neste mês. A proposta da prefeitura será enviada diretamente à assembleia, marcada para esta terça-feira (7) às 18h. Sem proposta, o sindicato ameaça romper negociações e deflagrar greve imediata.
O encontro terminou sem documento assinado e sem definição sobre o índice ou a forma de pagamento do reajuste reivindicado pelos professores. A assembleia foi convocada para as 18h, em terceira chamada, na sede da Fetems (Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul).
Segundo o presidente da ACP, Gilvano Kunzler Bronzoni, a categoria considera encerrada a fase de negociações com a equipe técnica da prefeitura e aguarda apenas o envio da proposta para deliberação dos professores. “Por ora, encerramos as negociações. A proposta deles será enviada diretamente para a assembleia dos professores amanhã, às 18 horas. O que nós batemos o pé hoje foi que não sairíamos daqui sem uma proposta”, afirmou.
Apesar da expectativa de que um acordo fosse fechado nesta segunda-feira, a prefeitura não apresentou uma contraproposta durante a reunião. Conforme Gilvano, a ACP e a Comissão de Educação da Câmara Municipal mantiveram a cobrança pelo cumprimento do compromisso firmado anteriormente com a prefeita Adriane Lopes (PP) de conceder os 5,4% de reajuste à vista ainda neste ano, com pagamento no mês vigente.
“Tanto os vereadores quanto a ACP continuamos defendendo que a proposta deve ser de 5,4% à vista, já no mês vigente. Depois de três horas de reunião, continuamos mantendo essa posição”, declarou Gilvano.
Segundo o sindicalista, durante o encontro a equipe da prefeitura apresentou diversos cenários financeiros e discutiu números relacionados ao orçamento da educação, mas não formalizou uma proposta. “Eles fazem contas daqui, fazem contas de lá, analisam o que podem remanejar dentro das verbas da educação, considerando a situação de Campo Grande. Mas nós não temos como discutir outra proposta. O que precisamos é sair daqui com os 5,4% já no mês vigente”, disse.
Como não houve tempo para uma nova rodada de negociação, ficou acertado que a prefeitura encaminhará sua proposta diretamente para a assembleia desta terça-feira.
Gilvano afirmou que a categoria sabe exatamente qual reivindicação defenderá e que agora cabe ao Executivo apresentar sua posição oficialmente. “Agora cabe à equipe da prefeita encaminhar essa proposta. Não há mais tempo para outra reunião”.
Segundo ele, a expectativa inicial era que a discussão desta segunda-feira se limitasse à definição da data de pagamento — agosto ou setembro —, mas o encontro terminou sem qualquer proposta assinada.
O presidente da ACP afirmou que a prefeitura se comprometeu a encaminhar um documento para ser apreciado pelos professores. Caso isso não ocorra, o sindicato considera que haverá rompimento das negociações. “Amanhã precisa haver uma proposta na assembleia. Se não houver documento, haverá um rompimento por parte da gestão com a categoria”.
Ele reforçou que, caso nenhuma proposta seja apresentada, a categoria deverá deflagrar greve imediatamente. “Se não chegar proposta, aí é greve automática. Se houver proposta, a categoria vai debatê-la”.
Reunião fechada – A reunião contou com cinco representantes da diretoria da ACP, integrantes da Comissão de Educação da Câmara Municipal, além da equipe técnica da prefeitura, formada pelos secretários da Casa Civil, Administração e Educação e superintendentes da área.
A prefeita não participou da negociação. Segundo Gilvano, ela delegou a condução das tratativas à equipe técnica. O secretário de Governo e Relações Institucionais, Ulisses Rocha, apenas abriu a reunião e deixou o encontro antes do início das discussões técnicas, segundo o sindicato.
“A parte política nós cobramos da prefeita, mas ela delegou à equipe técnica a tarefa de encontrar um caminho. Neste momento, estamos cobrando da equipe técnica. A partir de amanhã, com certeza, começamos a cobrar da prefeita a parte política”, disse Gilvano.
Também participaram da reunião os vereadores Professor Juari Lopes (PSDB), presidente da Comissão de Educação; Professor Riverton (PP), vice-presidente da comissão; e Wilson Lands (Avante), membro permanente do colegiado.
A reportagem tentou contato, por telefone, com o secretário de Governo, Ulisses Rocha, e com o secretário municipal de Educação, Lucas Bittencourt, para comentar o resultado da reunião, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestações da prefeitura.

